SC: Governador reage e universidade desiste de cota para nordestinos
UDESC admitiu erro em edital de pós-graduação e promete não repetir a medida
A Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) anunciou que não vai repetir a prática de reservar vagas para candidatos de outras regiões do país em seus processos seletivos.
A decisão foi comunicada nesta sexta, 3, após críticas do governador Jorginho Mello (PL) e forte repercussão política.
O edital que abriu a polêmica previa cotas em mestrado e doutorado em Música para candidatos do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
O texto mantinha também as reservas já tradicionais para negros, indígenas, quilombolas, pessoas trans e pessoas com deficiência.
Jorginho Mello afirmou em vídeo que não aceita “dinheiro do catarinense para quem é de fora” e cobrou explicações formais.
O governo enviou ofício ao reitor da UDESC, José Fernando Fragalli, pedindo dados sobre critérios e números usados no processo.
Em nota, a universidade disse que a medida não é política institucional e que seguirá a legislação em vigor.
A reitoria ressaltou que 80% dos alunos matriculados nasceram ou residem em Santa Catarina e que a prioridade local continuará. A UDESC ainda não confirmou se o edital atual será revogado.
O caso chegou à Assembleia Legislativa, que convocou o reitor para prestar esclarecimentos na Comissão de Constituição e Justiça.
Deputados querem discutir a legalidade de cotas regionais e a autonomia da universidade.
A controvérsia ocorre em meio ao crescimento da migração nordestina para Santa Catarina.
Dados recentes apontam aumento de 276% no fluxo de baianos para o estado nos últimos 14 anos.