São Paulo inaugura biblioteca para pessoas em situação de rua
A iniciativa, pioneira na capital, oferece acesso à leitura e ferramentas para a cidadania na Zona Leste
A cidade de São Paulo inaugurou na última sexta-feira, 1, a biblioteca Wilma Lancellotti. Instalado no Centro Comunitário Santa Dulce dos Pobres, no bairro da Mooca, o espaço comunitário é a primeira biblioteca voltada à população em situação de rua da capital. Idealizada pelo padre Júlio Lancellotti, a iniciativa busca promover acesso à leitura, informação e cidadania.
Acervo e funcionamento
A biblioteca foi nomeada em homenagem a Wilma Lancellotti, mãe do sacerdote, que cultivou nele o apreço pelos livros. O acervo inicial totaliza 8 mil livros doados, com 4 mil mantidos em reserva técnica para substituições. Seis bibliotecárias voluntárias catalogaram os volumes usando o sistema Sophia Biblioteca.
O funcionamento da biblioteca ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h. O padre Júlio Lancellotti observou o interesse da população em situação de rua pela leitura, o que motivou a criação do espaço. Ele explicou que é possível retirar livros por empréstimo para posterior devolução.
Além do acesso a livros, a biblioteca oferece também computadores para auxiliar na emissão de documentos e na busca por emprego. Adriano Casado, que está em situação de rua há 16 anos, afirmou que a biblioteca “é uma forma de ocuparmos nosso tempo com algo que nos enriquece”.
Impacto social e dignidade
O cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, participou da inauguração. Ele destacou que o espaço fornece “alimento para a alma, para a imaginação, para se situar no mundo”, aos mais vulneráveis. O cardeal considera a biblioteca um “sinal de esperança concreta”.
A historiadora Lilia Schwarcz, madrinha do projeto, enfatizou a importância simbólica e política das bibliotecas. Ela apontou que bibliotecas oferecem “possibilidades, riquezas e aberturas para o mundo”. Schwarcz também afirmou que a iniciativa é “um sinal claro e concreto de esperança”.
Virgínia Cristina Peixoto Favas, uma das bibliotecárias voluntárias, com 45 anos de experiência, observou que as bibliotecas proporcionam “dignidade e pertencimento”. Ela descreveu o atendimento a pessoas sem acesso regular à leitura como uma forma gratificante de contribuir com a sociedade.
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Comentários (2)
Fabio B
07.08.2025 17:30Esse sujeito da foto é muito asqueroso. Protejam suas crianças!
Marian
07.08.2025 17:00A iniciativa pode ser até bem intencionada, mas é um problema de saúde pública mesmo; essas pessoas sequer tem água disponível para beber. Sério, uma biblioteca? Para mim é o mesmo raciocínio de um país sem esgoto, mas que financia passagens aéreas para aposentados. Uma viagem não é? É o que penso.