Rogério Correia pede ao STF investigação sobre voo de Flávio com Willer Tomaz
Representação pede que PF identifique quem pagou pelo voo e apure eventual concessão de vantagem ao senador
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) apresentou uma notícia de fato ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que seja investigada a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL), de familiares e do advogado Willer Tomaz em um jato executivo que teria ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A representação pede que a Polícia Federal (PF) esclareça quem solicitou e pagou pelo voo e se o transporte constituiu vantagem direta ou indireta relacionada às negociações do financiamento.
O documento também solicita a apuração do papel de Willer Tomaz.
O PT pede ainda a identificação dos responsáveis pelos custos do voo, a obtenção da lista de passageiros, a análise das comunicações de Vorcaro, Thiago Miranda e Fabiano Zettel.
A petição sustenta que esses elementos devem ser examinados em conjunto para esclarecer se houve concessão ou eventual dissimulação de vantagens ao senador.
Jato usado por Moraes?
A manifestação ocorre após reportagem da revista Piauí apontar que a aeronave, um Legacy 650 de prefixo PP-NLR, tinha entre seus proprietários uma empresa ligada a Vorcaro.
O mesmo avião também foi usado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em agosto de 2025, segundo reportagens sobre o caso.
De acordo com a publicação, o voo com Flávio partiu de Fort Lauderdale, na Flórida, com destino a Brasília. O senador viajou acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas.
A aeronave pertence formalmente à Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., dividida em três cotas. Uma delas está vinculada a Tomaz, por meio da empresa Alcazar Holdings. Outra pertence a Laércio Cosentino, fundador da TOTVS. A terceira teria sido vendida à Prime You, empresa que teve Vorcaro como sócio.
Tomaz e Flávio negam
Tomaz contestou a relação.
Segundo ele, a venda da terceira cota à Prime You ocorreu sem seu conhecimento ou anuência. O advogado afirmou que tomou conhecimento da operação em abril de 2026, denunciou o contrato e passou a discutir o caso judicialmente com a empresa.
“Atribuir aquele voo a Daniel Vorcaro é falso”, declarou.
A reportagem também citou outras relações entre Tomaz e Flávio Bolsonaro. Entre elas, está o uso, pelo senador, de um apartamento adquirido pela empresa do advogado em fevereiro de 2026. Tomaz também foi alvo de investigação relacionada a desvios e fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Flávio comentou o episódio nas redes sociais. “Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”, escreveu o senador no X.
Na nota, Tomaz também afirmou não conhecer Vorcaro e negou ter mantido qualquer negócio com o ex-banqueiro.
“Willer Tomaz não conhece Daniel Vorcaro, jamais esteve com ele e nunca celebrou com ele qualquer negócio, de qualquer natureza”, afirmou.
Leia também: Flávio viajou no mesmo jato de Vorcaro usado por Moraes?
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