Rodolfo Borges na Crusoé: Os mercadores de Itaquera
Corinthians testa a paciência dos credores enquanto a CBF promete apresentar um modelo de fair play financeiro para o futebol brasileiro
O Mercador de Veneza começa com Bassani pedindo um empréstimo ao amigo Antonio para poder cortejar a órfã Portia. “Não desconheces, Antonio, o quanto desfiz de minha propriedade para mostrar um porte mais inchado do que meus frágeis recursos permitiriam a continuidade”, diz a personagem de Shakespeare ao pedir a ajuda.
Mesmo endividado, o apaixonado Bassanio contrai outra dívida, não de Antonio, mas do judeu Shylock, com o amigo como avalista. É como se o Corinthians, que sofreu um transfer ban por não ter honrado seu compromisso com o Santos Laguna ao contratar Félix Torres, corresse para contratar e anunciar Vitinho antes de ser proibido de fazer novas contratações até pagar a dívida.
O Corinthians não é, obviamente, o único clube de futebol no Brasil que não paga suas dívidas enquanto segue esbanjando no mercado. O Flamengo cobra do Internacional o pagamento de parcelas atrasadas da compra de Thiago Maia por 4 milhões de euros, mas o clube gaúcho contratou recentemente Alan Rodríguez por 4 milhões de dólares.
O Botafogo, que virou SAF e ganhou o Campeonato Brasileiro e a Copa Libertadores em 2024 graças a investimentos incompatíveis com seu patrimônio, aumentou sua dívida em 291% no ano passado, apesar das premiações expressivas, que ajudaram a compor a receita recorde de 720 milhões de reais. `
“Não pagam absolutamente ninguém”
Mas o alvinegro de Itaquera tem se destacado na seara do calote. No ano passado, o Corinthians escapou por pouco do rebaixamento no Campeonato Brasileiro, enquanto assistia à queda do Cuiabá, ao qual segue devendo pela compra do volante Raniele.
Leia mais: O pé invisível do mercado
A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, deixou…
Siga a leitura em Crusoé. Assine e apoie o jornalismo independente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)