Rodolfo Borges na Crusoé: Os cobradores
Começou a temporada de invasão de centros de treinamento no futebol brasileiro, e isso não costuma dar certo
“Tão me devendo colégio, namorada, aparelho de som, respeito, sanduíche de mortadela no botequim da rua Vieira Fazenda, sorvete, bola de futebol”, diz O Cobrador, de Rubem Fonseca. E a torcida Jovem do Sport acrescenta: “Tão me devendo gol e vitória”.
Começou a temporada de visitas das torcidas organizadas aos centros de treinamento do país, e elas não vão a passeio. A torcida Independente, do São Paulo, foi demonstrar “apoio” aos jogadores, mas exigiu “contratações de jogadores capacitados, não de refugos” e demandou “ingressos mais baratos nos próximos jogos”.
O tricolor paulista ganhou do Corinthians no dia seguinte, com uma bela exibição, mas, questionado na entrevista coletiva pós-jogo sobre o assunto, o treinador Hernán Crespo indicou desconforto com o “apoio” da organizada.
O São Paulo ganhou, mas, a julgar pela derrota do Sport para o Botafogo em casa, no domingo, 20, a visita dos torcedores não tem exatamente o efeito que os membros das torcidas organizadas imaginam.
Antecedente criminal
A invasão do CT do Sport, aliás vai entrar para a história pela frase “todo mundo aqui tem antecedente criminal”, dita por um torcedor que promete atormentar a vida dos jogadores do clube pernambucano.
“Digo, dentro da minha cabeça, e às vezes para fora, está todo mundo me devendo! Estão me devendo comida, buceta, cobertor, sapato, casa, automóvel, relógio, dentes, estão me devendo”, reclama oCobrador.
A torcida organizada do Vasco também visitou os atletas do clube antes da rodada do fim de semana do Brasileirão, e a Gaviões da Fiel esteve no CT do Corinthians, como se esse tipo de intimidação tivesse a capacidade de fazer mais…
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