Rodolfo Borges na Crusoé: Onze jogadores à procura de um treinador
Ancelotti é um dos treinadores europeus mais vitoriosos da história, mas estabilizar a seleção brasileira provavelmente seria o maior desafio da sua carreira
“Acredite, senhor, que somos verdadeiramente seis personagens interessantíssimos! Embora desperdiçados!”, diz uma das Seis Personagens em Busca de um Autor, de Pirandello, mas poderia ser qualquer dos jogadores da seleção brasileira.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) voltou a correr atrás de Carlo Ancelotti após demitir Dorival Júnior. As notícias de bastidor dão conta de que a nova empreitada foi encerrada e, depois, reiniciada. Enquanto isso, a seleção perde tempo.
Ancelotti é tratado como o treinador de grife que enfim substituiria Tite, após s experiências frustradas com Fernando Diniz e Dorival. Jorge Jesus, a outra alternativa, teria sido barrado pela família Neymar.
CBF
O dilema de escolher um técnico para a seleção se tornou ainda mais difícil porque não é apenas o time que precisa dele, mas o presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues. Quatro anos após assumir a instituição — e mesmo depois de ter sido reeleito com 100% dos votos—, é como se Ednaldo ainda estivesse ali por acaso.
Encurralado em meio a rumores permanentes de que pode ser impedido de continuar no cargo a qualquer momento, o presidente da CBF precisa de um escudo do tamanho de Ancelotti, o maior vencedor da Champions League e o único a conseguir conquistar as cinco principais ligas da Europa.
Os treinadores de futebol viraram isso, bombeiros. Trocar de técnico é bem mais fácil — e mais barato — do que trocar de elenco, e a diretoria também vai fazer de tudo para não cair — vale para Ednaldo e para o presidente do Corinthians, Augusto Melo, alvo de quatro pedidos de impeachment.
Instabilidade
Por falar no time do Parque São Jorge, Dorival, que deixou a seleção, onde poderia selecionar os jogadores brasileiros que desejasse, chegou ao Corinthians dizendo que talvez precise ajustar o elenco com mais contratações. Isso quer dizer que o problema não era o demitido Ramón Díaz?
O Santos demitiu Fábio Carille recentemente e passou quase tanto tempo quanto o Corinthians para encontrar um treinador, após várias negativas. A contratação do estreante Cléber Xavier ainda não fez o efeito desejado, apesar de o Santos ter contratado muitos jogadores após voltar da Série B.
O Vasco, enrolado com um frustrante processo de transformação em SAF, também está atrás de um milagreiro que ponha o clube em ordem. Aliás, os clubes brasileiros são tão caóticos que é muito difícil avaliar o trabalho dos treinadores, de tantas questões extracampo que interferem em seus trabalhos.
Estabilidade
No clubes mais organizados, como o Palmeiras e o Fortaleza, há mais estabilidade para Abel Ferreira e Juan Pablo Vojvoda treinar. Isso beneficiou Pep Guardiola e Jurgen Klopp, dois dos maiores treinadores da história, em Barcelona e Manchester City, no caso do espanhol, e Borussia Dortmund e Liverpool, no caso da alemão.
Já num ambiente mais instável, como o do São Paulo, que…
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