Rodolfo Borges na Crusoé: O príncipe da Vila
"A passagem de simples cidadão a príncipe supõe virtude ou fortuna”, ensinou Maquiavel
Maquiavel ensinou que “um príncipe deve procurar evitar as coisas que o tornam odioso e desprezível, com o que terá cumprido a sua parte e não correrá perigo algum de outras infâmias”.
Não há nada no clássico O Príncipe sobre como reagir, contudo, quando a torcida invade o centro de treinamento para exigir explicações após uma goleada por 6 a 0 para o Vasco diante de 50 mil pessoas no estádio do Morumbi.
Neymar Jr. (foto) recebeu o apelido de “príncipe da Vila” por fazer parte da linhagem de Pelé, que se imortalizou como o rei do futebol jogando pelo Santos, mas nunca foi chamado de rei da Vila Belmiro.
O melhor jogador brasileiro dos últimos anos retornou ao Santos para mandar, e não apenas dentro de campo, porque há a expectativa de que ele e o pai comprem o clube, que passa pelo pior momento de sua história.
É por ter esse tamanho todo que Neymar foi cobrado por torcedores por ter chorado após a derrota humilhante para o Vasco, e também por ter batido boca outro dia com um torcedor na Vila, após outro resultado decepcionante.
Virtude ou fortuna
“A passagem de simples cidadão a príncipe supõe virtude ou fortuna”, ensinou Maquiavel, que disse também:
“Um príncipe novo é muito mais observado em suas ações do que um hereditário e, quando suas virtudes são conhecidas, atrai um número muito maior de súditos e muito maior lealdade do que a antiguidade do sangue. Os homens se ligam muito mais às coisas presentes do que às passadas e quando encontram o bem no presente apreciam-no e não procuram outra coisa; tomarão, até, a defesa do príncipe em qualquer circunstância, enquanto ele desempenhar bem o seu papel.”
Neymar não é mais o mesmo que saiu do Santos para conquistar a Europa. Já não era quando partiu para a Arábia Saudita. Mas…
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