Rodolfo Borges na Crusoé: O perfume de Bielsa
O treinador argentino pulou da psicologia à filosofia, passando pela sociologia e pela teologia, ao tentar explicar a derrota do Uruguai por 5 a 1 para os Estados Unidos
“No século 18 viveu em França um homem que se inseriu entre as personagens mais geniais e mais abomináveis desta época que, porém, não escasseou em personagens geniais e abomináveis”, diz o narrador de O Perfume: história de um assassino (Best Seller) ao apresentar Jean-Baptiste Grenouille.
O protagonista do romance de Patrick Süskind tem um olfato extremamente sensível, capaz de captar os odores com precisão sobre-humana, o que lhe permite criar as colônias mais fantásticas de Paris e desenvolver o perfume perfeito — mas à custa das vidas de 25 virgens, cujas mortes não significaram nada para ele.
O próprio Grenouille não tem cheiro, e não sente nada além dos odores que o cercam.
“Sou tóxico”
O treinador argentino Marcelo Bielsa (foto) se submeteu a uma sessão de terapia coletiva após a derrota da seleção uruguaia por 5 a 1 para os Estados Unidos em amistoso.
E suas palavras, desconcertantemente sinceras, lembraram o insensível Grenouille de Süskind.
“Sou uma pessoa tímida, obsessiva e muito metódica. Não gosto de desordem; sinto-me desconfortável nesse tipo de ambiente. Bem, essas são as minhas limitações. Tenho dificuldade em me expressar, em ser desinibido, em ser amigável. Não, esse não é o meu jeito de ser. Mas, mesmo sendo assim, sempre fui bem recebido pelas pessoas com quem convivi, porque parece haver outros valores que podem gerar aceitação. Mas, bem, obviamente, em um nível humano, ainda não conquistei a aceitação deste grupo que lidero. E, quando você vai a algum lugar, as regras não são as suas; as regras são as do lugar que te recebe, sem deixar de ser você mesmo”, desabafou Bielsa.
E a coisa fica muito melhor — ou pior.
“Eu sou tóxico. Estar perto de mim piora a pessoa ao meu redor. Sim, tóxico. Entende? Existem tipos tóxicos, tipos que só enxergam o erro que estão corrigindo, que são exigentes, que nunca estão satisfeitos com nada…
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