Rodolfo Borges na Crusoé: Mulherzinhas
Ao desabafar contra árbitra, Gustavo Marques acabou fazendo uma propaganda pela inserção de mulheres no esporte
“Vou ver o que essas meninas podem fazer por ele”, pensa Mr. Lawrence ao se decidir por autorizar o neto Laurie, órfão de pai e mãe, a frequentar as quatro irmãs da família March, protagonistas de Mulherzinhas, o clássico de Louisa May Alcott.
É disso que se trata, para além de toda a militância e política de gênero, o debate sobre a participação de mulheres no mercado de trabalho ou em qualquer outro ambiente desenvolvido majoritariamente por homens ao longo dos últimos séculos.
Se elas podem contribuir, não há qualquer motivo para impedir que participem.
A essência dessa lógica se perde em debates filosóficos que poluem a questão, com exageros desnecessários que só prejudicam a busca por harmonia.
Uma mulher
É por isso tudo que causou tanto incômodo a declaração de Gustavo Marques após a eliminação do Red Bull Bragantino para o São Paulo no Campeonato Paulista.
“Tenho que falar da arbitragem. Não adianta a gente jogar contra São Paulo, Palmeiras, Corinthians, e eles colocarem uma mulher para apitar um jogo desse tamanho”, disse o zagueiro ao fim de uma partida que a árbitra Daiane Muniz (à direita na foto) não apitou mal — ou pelo menos não apitou pior do que qualquer de seus colegas, mesmo sob muita pressão.
Gustavo pediu desculpas públicas minutos depois, disse que sua mulher e sua mãe reclamaram e que foi ao vestiário da árbitra pedir desculpas pessoalmente.
Punição
Seu clube, administrado por uma marca de abrangência mundial, também se manifestou rapidamente, para “reforçar o pedido de desculpas a todas as mulheres e, principalmente, à árbitra Daiane Muniz”.
Dias depois, o Red Bull Bragantino anunciou uma multa de 50% no salário do jogador, que também não foi relacionado para…
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