Rodolfo Borges na Crusoé: Geopolítica da camisa de time
Uniformes de futebol deixaram, na década de 1970, de ser mero artifício para distinguir equipes, e acabaram ajudando a escrever a história
A temporada da NFL começou no Brasil pelo segundo ano consecutivo, com a partida entre Los Angeles Chargers e Kansas City Chiefs realizada na Neo Química Arena em 5 de setembro.
Disputar jogos no exterior é uma forma de popularizar o futebol americano fora dos Estados Unidos, mas também faz parte da “diplomacia esportiva”, segundo o Departamento de Estado americano.
“O crescimento mundial da NFL destaca o sucesso da diplomacia esportiva em construir pontes e celebrar a excelência americana. Por meio dos esforços do Escritório de Assuntos Educacionais e Culturais, temos orgulho de apoiar a expansão global da NFL”, celebrou o Departamento de Estado após a vitória dos Chargers em Itaquera.
Enquanto os americanos tentam expandir seu futebol para além das próprias fronteiras, o esporte mais popular do mundo serve de carona para marcas desde a década de 1970, e, mais recentemente, para autocratas expandirem seus projetos de poder.
Influência russa
O caso mais célebre é o do patrocínio da Gazprom ao alemão Schalke 04 (foto), que viveu seu apogeu graças ao dinheiro da estatal russa de gás durante o início do século 21.
A assinatura do acordo contou com a participação de Vladimir Putin, que já era presidente da Rússia em 2007, o que já indicava que o negócio não era exatamente inocente.
O Schalke 04 deixou de estampar a marca da Gazprom em sua camisa em 2022, quando os russos invadiram a Ucrânia pela segunda vez em menos de 10 anos, e 15 anos depois de os alemães terem se acostumado como a marca russa — e desenvolvido dependência de seu gás, o que se tornou um problema na hora de reagir à violação da soberania de um país.
A história é contada em detalhes em More Than A Shirt: How Football Shirts Explain Global Politics, Money and Power (Seven Dials), lançado em junho no Reino Unido.
História
No livro, o jornalista Joey D’Urso recupera a história econômica das camisas de time de futebol — o Leeds United foi o primeiro a fazer uma versão para venda, em 1973, confeccionada pela Admiral, e o primeiro patrocínio em uma liga relevante foi estampado pela Jägermeister no uniforme do alemão Eintracht Braunschweig, naquele mesmo ano.
Hoje, as camisas de time se tornaram um negócio bilionário, que abastece um negócio paralelo quase milionário, das famigeradas versões tailandesas falsificadas.
E a vitrine proporcionada…
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