Rodolfo Borges na Crusoé: Eu, impedimento semiautomático
Vai se aproximando o momento no futebol em que apenas as máquinas serão inevitáveis, confirmando mais uma profecia de Asimov
O tão esperado impedimento semiautomático enfim chegou ao futebol brasileiro.
A promessa era eliminar as dúvidas sobre as medições do VAR, que eram feitas artesanalmente, mas as primeiras decisões tomadas a partir da nova tecnologia não deixaram de ser questionadas.
Parte do incômodo se justifica porque essa tecnologia é tão precisa que leva à anulação de gols por milímetros, como ocorreu na Copa do Mundo.
Há um debate legítimo sobre a melhor forma de definir o que significa a vantagem indevida que tenta se prevenir com a marcação de um impedimento, mas o que ocorreu no Brasil foi além disso.
“Em relação ao impedimento automático, eu acho que há aqui um ponto. Eu não sou especialista em arbitragem, nem especialista em tecnologia, mas há um ponto que tem que ser esclarecido. É quando aquela linha é traçada. Porque aquela linha, o fora de jogo, deve ser traçada no momento do passe. E isso nunca é visível nas imagens que eles nos dão”, criticou o diretor de Futebol do Flamengo, José Boto, após anulação de gol no fim do empate com o São Paulo.
O sistema contratado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) é todo automatizado, apesar de os flamenguistas terem disseminado a impressão de que o momento do passe era definido pelo VAR.
O sistema identifica automaticamente as possíveis situações de impedimento, seleciona o atacante e o penúltimo defensor do lance, recomenda o ponto de contato com a bola e traça as linhas de impedimento antes de gerar uma animação em 3D para exibir o veredicto.
Qual é o problema, então?
As Máquinas
A última história de Eu, Robô, o clássico de ficção científica de Isaac Asimov, trata de um momento em que a economia mundial é gerida por quatro supercomputadores, conhecidos como as Máquinas.
“A população da Terra sabe que não haverá desemprego, nem superprodução ou escassez. Desperdício e fome….
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