Rodolfo Borges na Crusoé: É a vez de o corintiano experimentar Diniz
"Adão não poderia ter inferido da fluidez e transparência da água que ela o sufocaria", ensinou David Hume
David Hume constatou, há quase dois séculos, que “existe uma diferença considerável entre as percepções da mente quando um homem sente a dor do calor excessivo ou o prazer de um calor moderado e quando, posteriormente, recorda essa sensação ou a antecipa pela imaginação”.
Os torcedores do Corinthians terão a oportunidade, a partir desta semana — sabe-se lá por quanto tempo —, de experimentar no próprio clube o trabalho do treinador Fernando Diniz para além daquilo que sua imaginação poderia oferecer, vivendo na prática o empirismo do filósofo escocês.
Os torcedores de São Paulo, Vasco, Cruzeiro, Santos e Fluminense sabem bem do que se trata. Diniz é um técnico autoral, conhecido por gostar mais de um futebol bem jogado, com posse de bola e domínio de jogo, do que exatamente de ganhar partidas.
Convicções
Isso faz seus times passarem por momentos esplendorosos, como ocorreu com o São Paulo líder do Brasileirão em 2020 e com o Fluminense campeão da Copa Libertadores em 2023, mas suas convicções permanecem inabaláveis mesmo quando as equipes pedem por mudanças — uma delas é a saída de bola em construção desde o goleiro, a famigerada saidinha.
O resultado costuma ser uma série de derrotas massacrante, que se torna ainda mais dolorosa diante daquilo que a equipe apresentou em seu melhor momento, e geralmente leva ao risco de rebaixamento.
O treinador é conhecido hoje por ter mais derrotas do que vitórias na Série A do Campeonato Brasileiro e teve uma passagem relâmpago pela seleção brasileira, na qual colecionou recordes negativos. Por isso, muita gente se questiona: por que o Corinthians foi contratar logo Diniz?
Fogo e água
O diretor-executivo de futebol do Corinthians, Marcelo Paz, justificou a escolha dizendo que o clube precisa de respostas…
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