Rodolfo Borges na Crusoé: Cartas a um jovem Mourinho
Treinador português foi questionado sobre o que o Mourinho de 2013 diria para ele hoje, e inverteu a ordem para dizer o que aprendeu
De volta ao Real Madrid após mais de 10 anos, José Mourinho (foto) ouviu uma pergunta curiosa em sua coletiva de apresentação: “O que o Mourinho de 2013 aconselharia ao Mourinho de hoje?”.
O treinador português colocou a pergunta no rumo certo ao respondê-la: “É uma pergunta difícil. O Mourinho de hoje é quem está em condições de aconselhar o Mourinho de 2013″.
De fato, quem está em posição de dar conselhos é quem sabe mais, e, geralmente, quem sabe mais é quem viveu mais. É claro que o repórter estava interessado em saber o que Mourinho aprendeu desde que deixou o Real Madrid, mas é exatamente o Mourinho de 2026 quem melhor pode responder.
“A única coisa que digo é que uma pessoa tem que estar sempre muito tranquila. Para mim é muito mais fácil estar tranquilo agora do que há cinco, dez ou 20 anos. Hoje estou em melhores condições do que quando cheguei e quando saí”, respondeu o treinador após reordenar a pergunta.
Mourinho passou três temporadas no comando do Real Madrid antes de voltar agora. Ganhou uma La Liga, o campeonato espanhol, mas não conseguiu nenhuma Champions League, o que é considerado um fracasso no maior clube de futebol do mundo.
E o português ainda ficou marcado como o rival mal-humorado do tiki-taka mágico do Barcelona de Pep Guardiola, que ousou enfrentar com seu futebol pragmático e carrancudo, mesmo com elencos milionários e, teoricamente, mais possibilidades de jogo do que a retranca oportunista.
O passado
“Não tire conclusões demasiado apressadas daquilo que lhe acontece; deixe simplesmente as coisas acontecerem. Senão facilmente chegará a considerar com censuras (morais) o seu passado, que naturalmente tem participação em tudo aquilo com que o senhor se depara agora”, diz Rilke a Franz Xaver Kappus numa das mensagens do célebre Cartas a um jovem poeta (Globo).
Talvez a arte celebrada…
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