Rodolfo Borges na Crusoé: A sombra da linha de impedimento
É preciso calibrar a precisão do impedimento semiautomático, para preservar o espírito da regra
O narrador de A Linha de Sombra inicia sua história de aventura marítima com uma reflexão sobre a linha de sombra que divide a juventude e a maturidade.
“Fecha-se atrás de si o portãozinho da mera meninice — e entra-se num jardim encantado. Suas próprias sombras irradiam promessas. Cada curva do caminho exerce seu fascínio. E não é por se tratar de uma terra desconhecida. Sabe-se muito bem que toda a humanidade já percorreu esse caminho. É o encanto da experiência universal, da qual se espera uma sensação incomum ou pessoal — algo que seja verdadeiramente nosso”, diz o narrador de Joseph Conrad, para arrematar:
“Segue-se adiante, reconhecendo os marcos deixados pelos predecessores, entusiasmado e divertido, aceitando tanto os revezes quanto a boa sorte — os altos e baixos da vida, como diz o ditado — esse destino comum e pitoresco que reserva tantas possibilidades para os merecedores ou, talvez, para os afortunados. Sim. Segue-se em frente. E o tempo também avança — até que se percebe, logo adiante, uma linha de sombra alertando que a região da juventude também precisa ficar para trás.”
A linha aqui é outra, de impedimento nas partidas de futebol, e trata-se de saber o quanto ela merece ser cruzada, sob o risco de não cumprir sua meta original.
Precisão
A tecnologia do impedimento semiautomático nas partidas de futebol se tornou tão precisa na Copa do Mundo deste ano que levou à anulação de um gol da Colômbia por um dedo do pé (foto).
O zagueiro Dawinson Sánchez marcou um gol de cabeça contra Portugal nos acréscimos do segundo tempo, e definiria o resultado caso o bandeirinha não tivesse assinalado seu impedimento.
A olho nu, o colombiano parecia estar na mesma linha do penúltimo adversário, mas a checagem eletrônica endossou a decisão do árbitro assistente por poucos centímetros.
O fato é que não há mais “mesma linha”, uma expressão consagrada na época em que não havia uma tecnologia tão precisa para checar a posição de impedimento.
No caso do Irã…
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