Rodolfo Borges na Crusoé: A máquina do tempo de João Fonseca
Assistir ao nascimento de um atleta promissor é se afastar do momento presente, como diria o Viajante do Tempo de H.G. Wells
O brasileiro João Fonseca (foto) ganhou seu primeiro torneio de ATP Tour aos 18 anos de idade.
É o décimo tenista mais novo a conseguir o feito — para se ter uma ideia, o australiano Lleyton Hewitt, que chegou ao topo do ranking mundial, detém o recorde de juventude nesse quesito: conquistou o ATP de Adelaide com 16 anos e 10 meses.
João teve uma ascensão meteórica no ranking desde o ano passado, pulando do 730º lugar para a posição 68, alcançada após bater o argentino Francisco Cerúndulo na casa do adversário, em Buenos Aires, no último fim de semana.
Antes de Cerúndulo, o brasileiro tinha vencido outros três argentinos para chegar à final.
No set decisivo, João teve o jogo nas mãos por duas vezes, mas cedeu quebras de serviço para o adversário.
Estava nervoso, o que é mais do que normal para um jovem que inicia a carreira.
Mas a firmeza com que confirmou seus pontos decisivos foi impressionante, e alguns dos golpes me transportaram para o futuro.
Dimensão-Tempo
“Estamos sempre nos afastando do movimento presente. Nossas existências mentais, que são imateriais e não têm dimensões, estão passando pela Dimensão-Tempo com uma velocidade uniforme do berço ao túmulo”, diz o Viajante do Tempo de H.G. Wells ao explicar o funcionamento de sua máquina do tempo, no clássico que ela nomeia.
A forma dominante com que João desferiu golpes, de diversas formas, sem qualquer chance de resposta para Cerúndulo reverberou para além daquele jogo ou daquele torneio.
Foi como assistir ao Messi marcar seu primeiro gol pelo Barcelona após receber passe de Ronaldinho Gaúcho, minutos depois de entrar em campo — e o argentino já tinha marcado outro que não valeu momentos antes.
Ronaldo Fenômeno, quando ainda era Ronaldinho, também despertou impressão parecida ao avançar inabalável pelo Cruzeiro com a bola rumo às metas adversárias.
Neymar Jr. também. Michael Jordan, Michael Phelps, Simone Biles, Usain Bolt.
É como se fosse possível enxergar toda a grandeza nos primeiros movimentos desses atletas, e por meio deles, vislumbrar suas proezas futuras.
Mover-se no tempo
É claro que a promessa pode não…
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