Roberto Reis na Crusoé: Vamos abrir o corpo eleitoral de 2026 numa mesa fria
O que o sistema pede é simples: paz eleitoral em 2026 e previsibilidade
Enquanto o varejo da internet discute se Flávio Bolsonaro é candidato, se Michelle vai sair para alguma coisa, se o PT renasce ou morre, o atacado do sistema fez outra coisa bem mais séria: desenhou um projeto de país.
O projeto é simples e eficiente:
• STF se protege e pacifica o cenário
• Congresso garante dosimetria e anistia fatiada
• Centrão segura a chave do cofre
• Bolsonarismo vende a alma em troca de sobrevivência
• Tarcísio vira embalagem limpa e bonita para tudo isso
Quem ficou de fora, simbolicamente, é o PT. Não sobrou nada para esse beta.
Serve como espantalho, como contra plano moral, como fantasma do passado.
A costura toda se deu em noventa dias de muita negociação.
Durante três meses, o que se viu em público foi gritaria da família Bolsonaro, balão de ensaio, blefes, narrativa de perseguição, soluço, live dramática, micareta de direita e de esquerda.
Nos bastidores, o movimento era outro.
O Congresso entrou com a dosimetria.
O Supremo acenará com o regime domiciliar.
O bolsonarismo sentou para negociar seu próprio destino.
A progressão de pena, a conversa sobre domiciliar, a dosimetria discutida em praça pública não são obra do acaso. São parte do mesmo pacote: reduzir a temperatura, tirar a figura de Bolsonaro da cadeia como símbolo de guerra e colocá-lo em um cativeiro confortável, juridicamente controlado, politicamente neutralizado.
Em troca, o que o sistema pede é simples: paz eleitoral em 2026 e previsibilidade.
O papel do bolsonarismo: vender caro para acabar aceitando barato.
Flávio Bolsonaro foi apresentado como candidato da família. Isso não é um projeto de poder. É um cartaz de “preço sugerido”.
A mensagem do bolsonarismo para a direita era clara: “Quem manda aqui ainda somos nós. Se querem os votos bolsonaristas, vão ter de passar pela nossa cancela”.
Primeiro movimento: reafirmar…
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