Roberto Reis na Crusoé: O trabalho sujo que ninguém quer fazer
A Constituição e o Regimento da Câmara dos Deputados são claros: perde o mandato quem falta a mais de um terço das sessões sem justificativa
O Brasil é um país em silêncio, diante de um absurdo chamado Eduardo Bolsonaro. Há um serviço sujo esperando para ser feito: colocar freios nele.
O deputado fugiu para os Estados Unidos no início de 2025 e, de lá, passou a agir contra o próprio país.
Enquanto acumula faltas na Câmara, Eduardo faz lobby para sanções contra autoridades brasileiras, pede Magnitsky para ministro do Supremo e suspensão de vistos.
Ele trabalha para ferir o Brasil e proteger o próprio clã. Inaceitável.
Mas quase ninguém o enfrenta.
Em Orlando, Eduardo posa de exilado. Em Brasília, dedos se apontam.
Todos sabem o que é necessário fazer. Cassação. Expulsão do partido. Repreensão pública. Até o retorno forçado.
Ninguém quer se sujar. Presidente da Câmara, caciques de partidos, familiares, autoridades americanas… Poder não falta. O que falta é coragem.
Hugo Motta e a cassação que se impõe
A Constituição e o Regimento da Câmara dos Deputados são claros: perde o mandato quem falta a mais de um terço das sessões sem justificativa.
A licença de 120 dias de Eduardo Bolsonaro acabou em julho.
Depois disso, faltas em série. O número mágico pode ser atingido em outubro.
Hugo Motta já barrou a gambiarra para nomear Eduardo líder da minoria e vestir a ausência como missão no exterior. Decisão correta.
Motta, assim, abriu a porta para a cassação por faltas. Falta consumar.
Precedente para isso existe. Chiquinho Brazão perdeu o mandato por faltas, quando foi preso. A Câmara reconheceu a vacância.
Daria para fazer o mesmo com Eduardo agora. O que trava? Medo de retaliação. Pavor de criar mártir.
Com isso, empurra-se o problema para 2026. Tenta-se lavar as mãos, terceirizando o serviço sujo.
Valdemar Costa Neto e a blindagem partidária
O PL poderia abrir processo disciplinar e expulsar Eduardo. Motivos abundam. Atos contra o interesse nacional maculam a legenda.
No passado, partidos já cortaram na própria carne. Em 2016, o PT expulsou Delcídio do Amaral.
Por que o PL não faz o mesmo? Porque o cálculo cínico é que manda. Valdemar não quer melindrar a família que rende voto e cadeiras…
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