Roberto Reis na Crusoé: O próximo passo de Renan
Eleições podem se mover quando um candidato encontra o tema certo, o momento certo e o público que ainda não havia alcançado
No início de junho, escrevi que Renan Santos era a mosca na sopa da eleição presidencial.
Fui além: disse que ele fazia a melhor pré-campanha de 2026.
Renan construiu uma máquina sem o apoio de caciques, padrinhos empresariais ou do cofre público das grandes legendas.
Enquanto outros tinham mais currículo, mandato de presidente, governador ou senador e palanque, ele tinha um processo trabalhoso a construir: comunidade orgânica, conteúdo permanente e uma identidade impossível de confundir, quer você goste ou não.
Continuo pensando da mesma maneira.
Entre os candidatos que tentam romper a polarização, Renan fez a melhor campanha até agora.
Criou um partido, o que por si só é difícil, formou uma comunidade, conquistou lugar nos debates e obrigou a imprensa, numa eleição dominada por Lula e pela família Bolsonaro, a falar sobre ele.
Este não é um texto para diminuir o que Renan construiu.
É o contrário. É um texto de quem conhece sua capacidade e acredita que sua campanha pode dar um novo salto. Renan fez quase tudo o que precisava para chegar até aqui. Agora precisa ampliar seu repertório, sem perder a identidade que construiu.
A mais recente pesquisa BTG/Nexus revela a força dessa construção e o tamanho da oportunidade.
Renan chega a 10% entre os jovens de 16 a 24 anos. Marca 5% entre os homens, 6% entre quem ganha mais de cinco salários mínimos e 8% nas regiões metropolitanas.
Já possui um público nítido: jovem, urbano, escolarizado e conectado.
E agora?
Seus pontos mais baixos podem ser vistos como os maiores espaços para crescimento. Renan registra 1% entre as mulheres e não pontua entre os eleitores com 60 anos ou mais.
Essa diferença é uma pista extraordinária. Existe uma avenida aberta. A tarefa é converter rejeição — por desconhecimento, por conservadorismo ou por comportamento — em curiosidade, simpatia parcial e, de repente, até confiança e, enfim, voto.
O marketing…
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