Roberto Reis na Crusoé: O primeiro eleitorado pós-Lula
A conta que importa não é quem Lula vence em 2026. É quem ainda votará no lulismo quando Lula não estiver mais na urna
O dado mais importante da eleição não está nos 41% de Lula no instituto de pesquisas Datafolha dessa semana.
Está em quem não vai chorar. Vamos lá. Tenha paciência, que eu te explico.
O Datafolha de junho dá ao Planalto um alento de superfície para esse governo. Lula lidera o primeiro turno com 41%, contra 31% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, mantém a dianteira por 47% a 43%. A grande imprensa lê uma resiliência, vitória certa do Lula.
Lê errado.
O presidente lidera porque o passado ainda vota nele. Neste momento, ainda é assim.
O problema é que o futuro ainda não decidiu comparecer.
A leitura preguiçosa do mainstream já foi fixada no mundo inteiro: a notícia fácil, mas é falsa: “Lula é super favorito em 2026”. Não é.
Conversão ideológica
O que as pesquisas mostram não é uma conversão ideológica em massa.
É uma completa ausência de vínculo afetivo. Não houve perda por decepção.
Há um enorme vazio de quem nunca foi conquistado.
Quem completa 18 anos em 2026 nasceu em 2008. Tinha seis anos quando a recessão começou. Não viu o primeiro mandato de Lula, não viveu o boom das commodities, não guarda nenhuma memória afetiva de ascensão.
Vamos lá. Tem um grande percentual que cresceu ouvindo falar de crise, Lava Jato, impeachment, pandemia e inflação. Para esse eleitor, Lula não é esperança, nem novidade. É o próprio sistema.
É a cara do Estado que cobra muito e devolve pouco. É uma imagem cristalizada.
Esse eleitor amplo não se sente traído pelo lulismo.
Simplesmente não se reconhece nele. É isso.
A ausência da saudade
O maior patrimônio eleitoral de Lula sempre foi a memória.
Para milhões de brasileiros mais velhos e mais pobres, ele não é um candidato. É a lembrança de um tempo em que o emprego apareceu e a vida pareceu andar. Essa lembrança explica por que, aos 80 anos e depois de quase quatro décadas no centro do poder, ele ainda crava 41% no primeiro turno.
Mas essa memória tem um prazo geracional.
Não se transmite…
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