Roberto Reis na Crusoé: Costura de país
Quem faz a manutenção do Brasil não aparece no horário nobre com roteiro de Sidônio Palmeira
Ser arrimo de família é segurar o teto com as mãos enquanto os parentes debatem a cor da cortina.
O micro-ondas pifa, o carro do cunhado morre, a tia chora por causa de uma conta vencida e, curiosamente, todos lembram seu nome.
Nessa hora você vira banco, ambulância e terapia. Não há glamour, só há gravidade, e todos querem prioridade.
O herói da casa aprende cedo a ciência da contenção: paga o que dá para pagar, promete o que é possível cumprir e, no final, recolhe os trapos em silêncio.
Tudo isso para ninguém aplaudir. Só cobram do alicerce. O alicerce tem um papel único: não cair.
Corta para outro personagem: o advogado que prefere um acordo ruim a uma causa brilhante. Ele sabe que vitória tardia é derrota mascarada pelo tempo.
Processo seduz com juridiquês e latim, mas cliente dorme com boletos e ansiedade.
O bom advogado pratica a velha engenharia da paz: renuncia ao troféu de uma sentença para entregar o bem simples e precioso chamado sossego. Toma café ruim, engole vaidade e assina papel feio porque a vida não aguenta suspense eterno.
Chame isso de arbitrar conflitos: um mau acordo por vezes vale mais do que uma sentença ótima, mas demorada. Ou, se quiser algo mais filosófico, é a metabolização do risco. Não fica bonito na plaquinha, mas salva famílias, empresas e rins.
Agora, Brasília. Ciro Nogueira, Antonio Rueda, Baleia Rossi, Valdemar Costa Neto, Gilberto Kassab, Arthur Lira, Hugo Motta, Michel Temer e Tarcísio de Freitas. Moradores ilustres do condomínio do bom senso.
São os síndicos que trocam a lâmpada do corredor enquanto dois andares brigam por vaga na garagem. Não ganham coro de anjos, ganham reclamação de todas as partes, inclusive da imprensa.
São os adultos da mesa que afinam…
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