Roberto Ellery na Crusoé: Juros altos: a prudência ainda é o melhor remédio
Corte precipitado pode ser interpretado como relaxamento da meta inflacionária, levando a uma história que já vivemos mais de uma vez
Nesta semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reuniu para definir a meta da taxa Selic, a taxa básica de juros do Brasil.
Escrevo antes da decisão, mas o mais provável é a manutenção dos 15% ao ano. Alguns apostam em um corte inicial, marcando o começo do aguardado ciclo de redução.
Muitos analistas já explicaram que qualquer queda nos juros só será sustentável com avanços concretos no ajuste fiscal.
Sem isso, corremos o risco de repetir o ciclo vicioso: redução seguida de alta para conter a inflação. Concordo plenamente com essa visão, mas vale explorar outros ângulos da questão.
Preocupações
A maioria dos bancos centrais, mesmo sem admitir explicitamente, considera tanto a inflação quanto o desemprego ao definir os juros. No Brasil não é diferente.
Apesar do regime de metas focado exclusivamente na inflação, as atas do Copom revelam preocupação recorrente com o nível de atividade econômica. Isso não é um problema, além de economicamente razoável, monitorar o desemprego alinha-se ao parágrafo único do artigo 1º da Lei Complementar nº 179/2021, que, entre outros pontos, respalda a autonomia do Banco Central.
Pois bem: no atual balanço entre emprego e inflação, não há motivos para apressar cortes.
A taxa de desemprego está em patamar excepcionalmente baixo, 5,2% no trimestre móvel encerrado em novembro de 2025, o menor da série histórica do IBGE. Em contrapartida, a inflação fechou o ano dentro do intervalo da meta, mas acima do centro-alvo.
As expectativas de mercado indicam convergência ao centro somente em 2028. Considerando apenas esses dois…
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