Roberto Ellery na Crusoé: Descoordenação macroeconômica
Enquanto o governo pisar no acelerador fiscal sem critério, a política monetária será obrigada a manter o freio de mão puxado: dívida mais alta, juros elevados, alocação ineficiente de recursos e crescimento medíocre
De forma rápida, podemos resumir a política macroeconômica a duas alavancas: a fiscal e a monetária.
A fiscal diz respeito aos gastos públicos e arrecadação por meio de impostos.
A monetária, conduzida pelo Banco Central, foca no controle da oferta de dinheiro e das taxas de juros.
Ambas podem acelerar ou contrair a demanda agregada, o que, dependendo das circunstâncias, estimula o emprego ou a inflação.
A regra geral é que, diante de um aumento da demanda agregada, as firmas respondem com mais produção, gerando renda e emprego, quando há capacidade ociosa, e com aumento de preços quando não é vantajoso expandir a produção aos preços vigentes.
O conceito de capacidade ociosa é delicado e motiva debates entre economistas. Para evitar essa discussão, vamos associá-lo simplesmente ao desemprego.
Diante de um aumento da demanda, as firmas contratam se houver mão de obra disposta a trabalhar pelo salário vigente.
Caso não exista mão de obra disponível ou se for preciso oferecer salários maiores para contratar, as firmas optam por elevar os preços. Embora ignore pontos importantes, essa simplificação permite analisar o estado da economia brasileira.
Na maior parte do tempo, pelo menos desde a estabilização nos anos 1990, a política econômica brasileira consiste em acelerar com a alavanca fiscal (mais gastos públicos) e frear com a monetária (juros altos).
Tentativas de mudar essa combinação esbarram na dificuldade de ajustar o fiscal.
Cortar gastos envolve enfrentar interesses poderosos e demandas populares, exigindo liderança e habilidade política que raramente estão disponíveis.
Na incapacidade de frear, ou ao menos não acelerar, com o fiscal, resta usar o freio monetário. Algo que o Banco Central fez diversas vezes na história recente e faz atualmente, daí os juros altos.
Assim como acelerar o carro com o freio de mão puxado causa danos ao veículo e é pouco eficiente para avançar, acelerar com o fiscal mantendo o freio monetário puxado prejudica a economia e pode não levar ao crescimento desejado.
Entre os danos dessa combinação…
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