Roberto Ellery na Crusoé: A volta da direita nacional-desenvolvimentista
Ideia de que intervenção estatal é indispensável une Delfim Neto, PT e, agora, MBL e Flávio Bolsonaro
Semana passada, fiz um post no X sobre o nacional-desenvolvimentismo de direita que gerou certa confusão. Como de costume, não engajei em discussões por lá, mas, dada a relevância do tema, resolvi explicar melhor neste espaço da Crusoé.
Em primeiro lugar, precisamos de uma definição de nacional-desenvolvimentismo. Não é tarefa trivial, afinal existem várias vertentes com diferenças consideráveis entre si que reivindicam esse rótulo.
Vou optar por uma definição ampla: prefiro pecar por excesso de generalidade do que por ser muito restrito.
O nacional-desenvolvimentismo acredita que o desenvolvimento depende crucialmente do fortalecimento de setores econômicos específicos, normalmente a indústria de transformação, e que, para que esses setores se desenvolvam, são necessárias intervenções do Estado nacional.
A questão da intervenção estatal é central.
A ideia é que, na ausência dessa intervenção, as forças de mercado alocarão capital e trabalho em outros setores que podem ser mais lucrativos no curto prazo, mas que, no longo prazo, não geram a dinâmica necessária para o desenvolvimento da nação.
Aqui no Brasil, esse pensamento tem sido associado às forças de esquerda há algumas décadas. Não foi sempre assim.
Delfim Netto, czar da economia no governo Médici, foi um notório defensor do nacional-desenvolvimentismo. De certa forma, é possível afirmar que, até o final dos anos 1970, com exceção de Eugênio Gudin, todos eram desenvolvimentistas.
Com o colapso da economia na década de 1980, o consenso desenvolvimentista começou a ser desfeito.
A industrialização ocorreu, mas o Brasil não se tornou um país rico, longe disso.
No auge da industrialização, vivemos uma década perdida seguida de hiperinflação.
Com a redemocratização, tornou-se impossível defender o modelo econômico que levou ao desastre dos anos 1980.
Já no primeiro governo eleito por voto direto, Fernando Collor, que costuma ser lembrado pelo infame Plano Collor, iniciou o processo de privatizações e de abertura da economia.
A agenda reformista continuou com Itamar Franco e Fernando Henrique. Nesse período, a bandeira da intervenção estatal ficou com o PT, que liderava a oposição a todos esses governos e contava em seus quadros com vários economistas adeptos do nacional-desenvolvimentismo.
Nem a agenda claramente reformista do primeiro governo Lula quebrou o vínculo do PT com o desenvolvimentismo.
No segundo mandato de Lula, o nacional-desenvolvimentismo começa a ganhar mais espaço e chega ao auge no governo Dilma Rousseff.
A defesa que…
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