Roberto Ellery na Crusoé: A escala 6×1 e a redução da jornada
O que dizem os números (e o que falta no debate)
Com a proximidade das eleições, deve ganhar força o debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 (seis dias trabalhados e um de folga).
Críticos da escala atual destacam a perda de bem-estar decorrente do estresse e do pouco tempo restante para família, assuntos pessoais, lazer e outras dimensões importantes da vida.
Do outro lado, há quem enfatize as perdas de produção (e de renda) associadas à redução da jornada.
Ambas as perspectivas encontram respaldo na teoria econômica.
Nos cursos de economia, ensinamos que a oferta de trabalho reflete uma escolha entre consumo e lazer: mais horas trabalhadas geram maior renda e capacidade de consumo (o que é positivo), mas reduzem o tempo livre (o que é negativo).
A jornada “ideal” depende, portanto, das preferências individuais entre esses dois bens.
O mundo real, porém, é mais complexo, entre as horas que maximizam a satisfação do trabalhador e as efetivamente trabalhadas aparecem a demanda por trabalho, fatores culturais, estrutura do mercado de trabalho, legislação etc.
Esses elementos podem ser incorporados a modelos teóricos mais sofisticados, mas nenhum deles determina, por si só, qual seria a jornada ótima.
Cabe aos economistas, nesse contexto, oferecer estimativas sólidas de ganhos e perdas associados a mudanças na jornada, deixando à democracia, por meio de grupos de pressão (trabalhadores e empresários), debates na imprensa e deliberação no Congresso, a decisão final.
Infelizmente, o debate está truncado. Influenciadas pela lógica das redes sociais, muitas lideranças parecem priorizar frases de efeito e acusações mútuas em vez de apresentar evidências robustas.
É notória a escassez de estudos contratados por sindicatos, entidades patronais, partidos ou mesmo governos sobre os efeitos concretos da mudança.
O ritmo da academia, com…
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