“Roberta Luchsinger acabou de me processar”, diz presidente da CPMI do INSS
Senador prometeu "não recuar" diante da alegada intimidação da lobista
O presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana (foto), afirmou nesta segunda-feira, 10, que foi processado pela lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luis da Silva, o Lulinha.
“A mesma que, segundo as investigações, recebeu R$ 1,5 milhão do Careca do INSS e fez pagamentos ao ex-chefe de Gabinete de Lula. Agora ela me processa. Acham que processo me cala.
Acham que blindagem calava a CPMI. Acham que liminar escondia o que o Brasil já viu”, escreveu no X.
Viana prometeu “não recuar” diante da alegada “intimidação”.
“Não recuei. E não vou recuar. O dinheiro que sumiu dos aposentados não tem direito a silêncio. Quem se meteu nisso não tem direito a blindagem. Vou continuar mostrando cada desdobramento”, acrescentou.
Marcola
Na última semana, Roberta voltou ao centro do noticiário após Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-assessor do presidente Lula (PT), admitir ter contraído um empréstimo com a lobista.
“Em primeiro lugar, meus sigilos bancário e fiscal estão integralmente à disposição da Justiça. Faço isso para deixar claro e público que jamais houve nada além do empréstimo pessoal que obtive junto a ela, pago com a transferência bancária de R$ 249 mil – uma movimentação de natureza estritamente privada“, afirmou ele.
Permeia a suspeita de que o empréstimo tenha sido uma maneira de o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, exercer influência dentro do Palácio do Planalto, seja para agendar encontros ou para obter contratos.
E o pior: o dinheiro do empréstimo ainda pode ter sido resultado dos valores surrupiados dos aposentados e pensionistas do INSS.
Agenda do presidente
Vale destacar que Marcola não era qualquer um no Palácio do Planalto.
Antes de integrar a campanha do presidente Lula há duas semanas, ele foi chefe de gabinete do presidente. Era ele quem geria os seus telefonemas e sua agenda.
Como o presidente não tem celular, quem queria falar com Lula ligava para Marcola.
Não havia, portanto, ninguém mais indicado que Marcola para alguém de fora do governo entrar em contato com o objetivo de exercer influência junto ao presidente da República para abrir portas no governo.
Na última segunda, 3, uma reportagem do jornal Estadão revelou que Roberta Luchsinger fez 42 visitas a órgãos do governo federal desde o início do terceiro mandato de Lula. Dessas visitas, somente uma foi registrada.
Ela esteve no Palácio do Planalto e no gabinete do ministro Wellington Dias, do Desenvolvimento Social. Nessa última ocasião, na companhia de Lulinha.
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