RJ: Governo Castro redefine base aliada após exoneração no Transporte
Rodrigo Amorim, líder do governo na Alerj, diz que “linha foi riscada” entre Bolsonaro e o campo do PT
A confirmação da exoneração de Washington Reis (MDB) da Secretaria de Transportes do Rio de Janeiro nesta quinta, 10, pelo governador Cláudio Castro (PL), representou um passo estratégico na reorganização da base governista estadual.
A medida consolidou a separação entre o núcleo bolsonarista liderado por Castro, Rodrigo Bacellar (União Brasil) e Rodrigo Amorim (União Brasil), e o MDB de Reis, que nas últimas semanas vinha se aproximando do prefeito Eduardo Paes (PSD).
A exoneração foi originalmente publicada em 3 de julho, durante viagem oficial do governador a Portugal.
No exercício interino do cargo, Bacellar formalizou a saída de Washington Reis e também a de Kennedy Martins, aliado de Dionísio Lins (PP), do comando do Instituto de Pesos e Medidas.
Na volta ao Brasil, Castro confirmou a exoneração de Reis e indicou Priscila Haidar Sakalem para substituí-lo, enquanto reverteu a decisão sobre Kennedy Martins.
O deputado Rodrigo Amorim, líder do governo na Assembleia Legislativa, afirmou que não há divisão no campo de direita. Segundo ele, “um determinado movimento do MDB em se alinhar com o maior aliado de Lula e do PT no RJ gerou reação na base”.
Amorim acrescentou que “o presidente da Alerj e o governador estão unidos em torno da ideia de um projeto de centro‑direita. Ou se está com Bolsonaro ou se está com Paes e o PT, não existe meio do caminho, a linha foi riscada”.
A saída de Washington Reis foi seguida, poucas horas depois, pelo anúncio de sua candidatura ao governo do estado em 2026, com o prefeito de Campos, Wladimir Garotinho (PP), como pré-candidato a vice.
Reis busca reverter sua inelegibilidade no Supremo Tribunal Federal, onde conta com apoio de um despacho recente do ministro Gilmar Mendes.
O campo bolsonarista trabalha para consolidar uma aliança coesa até 2026, com Bacellar como principal nome para a sucessão de Castro.
Amorim, na condição de líder na Alerj, tem articulado encontros regulares entre secretários e parlamentares da base, com foco em garantir governabilidade e disciplinar o alinhamento político do grupo.
A movimentação do MDB fortalece o grupo de oposição ao governo estadual na Baixada Fluminense e marca uma divisão nítida de estratégias eleitorais.
O grupo liderado por Castro e Bacellar busca preservar a hegemonia no Legislativo e evitar dispersões ideológicas na base.
Com a “linha riscada” entre os dois blocos, a definição do cenário político fluminense para 2026 ganha contornos mais claros.
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