Rio tem 35 áreas sob guerra entre milícias e tráfico, diz polícia
Relatórios da PM e da Polícia Civil confirmam tiroteios diários, aumento de apreensões de fuzis e vítimas por balas perdidas nas áreas em risco
O Rio de Janeiro acumula pelo menos 35 territórios onde tráfico de drogas e milícias disputam o controle territorial, resultando em tiroteios diários, circulação de armas de grosso calibre e vítimas por balas perdidas, segundo levantamento conjunto da Polícia Militar e da Polícia Civil divulgado nesta sexta, 18 de julho.
Neste momento, moradores dessas áreas têm sua mobilidade restringida por rotinas de confronto armado e atuação do poder paralelo, sem a presença efetiva do Estado.
Em locais como Jacarezinho, Complexo da Penha, Complexo do Alemão, Gardênia Azul e Vila Kennedy, bem como áreas da Zona Oeste e da Baixada Fluminense, o tráfico e milícias disputam fuzis, postos de controle e serviços ilegais como gás, transporte e internet clandestina.
De acordo com a Secretaria de Estado da Polícia Militar, essas regiões concentram a maioria dos tiroteios com vítimas na cidade.
A Polícia Militar registra crescimento significativo de apreensões de armamentos. Em uma operação recente, sete fuzis foram apreendidos em um único dia, além de pistolas e granadas, durante ações na Zona Norte e na Baixada Fluminense.
Moradores relatam suspensão arbitrária de atividades escolares e interrupções de serviços públicos diante dos confrontos.
Essa sensação de refém nas próprias comunidades agrava a vulnerabilidade social e a insegurança cotidiana.
Pesquisadores do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense afirmam que houve mudança na configuração do crime organizado.
Destacam a sobreposição entre tráfico e milícias, especialmente na Zona Oeste, onde a disputa envolve pontos comerciais, transporte alternativo e serviços clandestinos.
Essa reconfiguração acirra o conflito e amplia o risco nas regiões sob disputa.
Dados oficiais apontam que mais de 60% das ocorrências com vítimas atingidas por balas perdidas ocorrem nessas 35 zonas mapeadas pelas forças de segurança.
A Polícia Civil informou que mantém investigações em curso para desarticular lideranças e estruturas financeiras dessas organizações.
Já a Polícia Militar afirma que intensifica operações ostensivas para retomar áreas dominadas por grupos armados.
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Comentários (1)
Denise Pereira da Silva
18.07.2025 19:30Enquanto grupos de milícia e do tráfico não forem combatidos como invasores do Estado, constituintes que são de um Estado paralelo da criminalidade, não teremos segurança pública. Quando vamos acordar e admitir que estamos em guerras civis pontuais em todo o Brasil?