Rio lidera inquéritos por crime eleitoral no país
Estado concentra 67 dos 558 procedimentos abertos pela PF desde julho; compra de votos em dinheiro está entre as apurações
O Rio de Janeiro é o estado com o maior número de inquéritos por crimes eleitorais abertos pela Polícia Federal (PF) no Brasil desde julho de 2026. São 67 dos 558 registros nacionais, o equivalente a 12% do total, ou um em cada oito.
Os números constam do Painel Público de Crimes Eleitorais da corporação e foram consultados pelo jornal O Globo às 16h desta sexta-feira, 2.
Compra de votos
Segundo o painel da PF, a corrupção eleitoral é o terceiro tipo de crime eleitoral com mais procedimentos instaurados no país em 2026, com 195 desde janeiro. A conduta consiste em dar, oferecer, prometer, pedir ou receber dinheiro ou outra vantagem em troca de voto. O Rio soma 18 casos desse tipo, atrás do Ceará, que tem 21.
Na quinta-feira, 1º, o procurador eleitoral do Rio, Flávio Paixão, disse à CBN que a PF já investiga compras de votos com dinheiro vivo na disputa fluminense. Novas diligências devem ocorrer até o fim de semana, segundo ele. A corporação, afirmou, tem “muitas operações na rua”.
Paixão disse que os pagamentos podem chegar a R$ 100 ou menos: “Existem múltiplas maneiras de compra de voto. O crime tradicional de compra de votos com dinheiro continua acontecendo muito”.
Financiamento e apreensão
O procurador também citou formas mais elaboradas de financiamento ilegal de campanhas, com possível terceirização de serviços por fundações e organizações não governamentais. Uma das hipóteses analisadas em processo no Supremo Tribunal Federal (STF) é que emendas parlamentares custeiem serviços que depois retornem como recursos de campanha.
Em 15 de setembro, a PF apreendeu R$ 600 mil em espécie em Piratininga, na Região Oceânica de Niterói, durante ação contra crimes eleitorais. O dinheiro, em notas de R$ 50 e R$ 100, estava com uma mulher. Documentos e planilhas também foram recolhidos.
De acordo com a PF, a operação resultou de trabalho de inteligência e troca de informações. A origem e o destino dos valores são investigados.
Balanço do ano
Ao ampliar o recorte para janeiro, o painel contabiliza 1.243 inquéritos eleitorais da PF no país até as 16h de sexta-feira. Desse total, 139 têm o Rio como endereço.
Desde julho, o crime mais frequente no estado é a inscrição fraudulenta de eleitor, que envolve fraude no cadastro eleitoral, com 29 inquéritos. Em seguida aparece a falsidade ideológica eleitoral, que consiste em inserir informação falsa ou omitir dado que deveria constar em documento, com 13.
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