Rio inaugura memorial às vítimas da Covid-19
Centro Cultural reabre após três anos de obras e passa a abrigar espaço dedicado aos 716 mil brasileiros mortos pela doença
“A memória é para dar conforto e visibilidade, e também para construir uma consciência social para que nunca mais se repita o que tivemos na Covid-19 no Brasil”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na abertura do Memorial da Pandemia, nesta terça-feira, 7, no Rio de Janeiro.
O espaço ocupa o Centro Cultural do Ministério da Saúde, reinaugurado no Dia Mundial da Saúde após três anos de reformas e investimento de R$ 14 milhões.
O Brasil registrou aproximadamente 40 milhões de casos e 716 mil mortes pela Covid-19 desde o início da pandemia, em 2020. No pico da crise, em abril de 2021, o país chegou a contabilizar mais de quatro mil óbitos em 24 horas — período em que a Fiocruz apontou o maior colapso do sistema de saúde da história brasileira.
As obras do memorial
A entrada do espaço é marcada pela instalação “Cada nome uma vida”, do arquiteto Gustavo Godoy. Cinco pilastras de madeira — uma para cada região do país — sustentam telas de LED com os nomes das mais de 715 mil vítimas.
Na parte traseira do edifício, voltada para a Baía de Guanabara, está “Flor do Tempo”, escultura em alumínio naval criada por Danilo Andrade Freitas, vencedor de concurso promovido pelo ministério.
“Na base temos os quatro anos da pandemia, cada um com um volume e escala que evidencia as vítimas de cada ano”, explicou o artista.
A peça incorpora referências ao SUS e aos meios de comunicação. Darlan Rosa, autor do Zé Gotinha, assina uma obra circular próxima a um parque infantil no mesmo espaço. A primeira exposição no interior do edifício está prevista para 12 de junho de 2026.
Imprensa e transparência
O evento também reconheceu o papel do consórcio de veículos de imprensa, formado em junho de 2020 quando o governo federal restringiu o acesso aos dados da pandemia. Jornalistas de O Globo, Extra, g1, Folha de S.Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo passaram a coletar, diariamente, informações de casos e mortes junto às 27 secretarias estaduais de Saúde.
O trabalho durou 965 dias, até janeiro de 2023, e foi reconhecido com o Prêmio ANJ de liberdade de imprensa, entre outras distinções. Na cerimônia, os veículos participantes receberam medalha do ministro Padilha: “Quero agradecer ao consórcio de veículos de imprensa, que teve um papel fundamental”, afirmou o ministro.
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