Retrospectiva: o dia em que María Corina Machado ganhou o Nobel da Paz
A escolha reconhece esforços de longo prazo para fortalecer liberdades civis, eleições livres e democracia
O Comitê Norueguês do Nobel anunciou em 10 de outubro, em Oslo, que o Prêmio Nobel da Paz de 2025 foi concedido à venezuelana María Corina Machado por sua atuação em favor de direitos democráticos e por sua defesa de uma transição pacífica do país rumo à democracia.
A escolha reconhece esforços de longo prazo para fortalecer liberdades civis, eleições livres e democracia.
A nova laureada acumula reconhecimentos internacionais. Em 2024, recebeu o Prêmio Václav Havel de Direitos Humanos, concedido pelo Conselho da Europa, por sua atuação em defesa do estado de direito.
No mesmo ano, dividiu o Prêmio Sakharov, do Parlamento Europeu, com outras lideranças democráticas da Venezuela, de acordo com notas das respectivas instituições.
A decisão ocorre após o ciclo eleitoral venezuelano de 2024, marcado repressão a opositores e impedimentos a candidaturas.
De acordo com comunicados do comitê, a premiação destaca a resistência não violenta e o papel de lideranças civis na prevenção de conflitos internos. A programação oficial prevê a entrega da medalha e do diploma em 10 de dezembro, data tradicional da cerimônia do Nobel.
María Corina Machado é engenheira industrial e ex-deputada da Assembleia Nacional, eleita por Miranda para o mandato iniciado em 2011.
Em 2014, teve o mandato cassado pela mesa diretora da Casa, à época presidida por Diosdado Cabello. Ela se projetou como liderança da oposição e fundou a organização civil Súmate, dedicada à integridade do processo eleitoral, segundo registros da própria entidade.
Em 2023, a Controladoria-Geral da Venezuela declarou a inabilitação de Machado para ocupar cargos públicos por 15 anos, medida posteriormente confirmada pelo Supremo Tribunal de Justiça.
Nas primárias da oposição, seu nome estruturou a articulação em torno de uma candidatura alternativa ao chavismo; impedida de se registrar, apoiou a indicação de Edmundo González, que comemorou o prêmio nas redes sociais, dizendo:
“Nossa querida Maria Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025! Um merecido reconhecimento à longa luta de uma mulher e de todo um povo pela nossa liberdade e democracia. A primeira vencedora do Prêmio Nobel da Venezuela! @mariacorinaya, a Venezuela será livre!“
No material de apoio ao anúncio, a entidade reiterou que liberdade de expressão, sufrágio e pluralismo são condições necessárias para sociedades pacíficas e maduras.
A escolha de 2025 se insere nessa linha de premiações a indivíduos e organizações que enfrentam autoritarismo por meios civis.
A agenda do Nobel prevê entrevistas e atividades públicas em Oslo ao longo do dia do anúncio.
A tradição determina que os prêmios científicos e de literatura sejam entregues em Estocolmo, na Suécia, enquanto o Nobel da Paz é concedido na Noruega.
Com a decisão, Machado se torna a primeira liderança da oposição venezuelana a receber a distinção, marco simbólico para a comunidade internacional e para a sociedade civil do país, segundo a comunicação oficial do comitê.
- O Antagonista relembra a matéria “Delação de Mônica Moura explica elo de Lula e Maduro”, também resumida no vídeo “Por que Lula apoia Maduro”, que inclui depoimentos de colaboração premiada da esposa do ex-marqueteiro do PT João Santana e de Emílio Odebrecht.
https://oantagonista.com.br/brasil/delacao-de-monica-moura-explica-elo-de-lula-e-maduro/
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