Retrospectiva: o dia em que Davi Alcolumbre voltou ao comando do Senado
Também concorreram ao cargo os senadores Marcos Pontes (PL-SP) – à revelia do ex-presidente Jair Bolsonaro - e Eduardo Girão (Novo-CE)
Davi Alcolumbre (União-AP) voltou ao comando do Senado em 1º de fevereiro deste ano. Alcolumbre conseguiu uma das votações mais expressivas na história da Casa. Alcolumbre foi eleito com 73 votos. Apenas o ex-senador José Sarney (MDB-AP) conseguiu atingir a margem de 70 votos. E isso foi na distante eleição de 2011 – há 14 anos.
Também concorreram ao cargo os senadores Marcos Pontes (PL-SP) – à revelia do ex-presidente Jair Bolsonaro – e Eduardo Girão (Novo-CE). Pontes teve quatro votos e Girão outros quatro.
Marcos do Val (Podemos-ES) chegou a registrar candidatura, mas a retirou durante seu discurso no Senado, argumentando que foi censurado e que não teve como costurar acordo com outros parlamentares. A senadora Soraya Thronicke (Podemos) também retirou a sua candidatura.
O senador amapaense conseguiu chegar a essa votação a partir de um arco de alianças que reuniu, em um mesmo bloco, tanto senadores do PT de Lula quando parlamentares do PL de Jair Bolsonaro. Para conseguir tal feito, Davi conseguiu prometeu dar seguimento a pautas que agradam tanto a petistas quanto a bolsonaristas.
Aos petistas, garantiu azeitar as matérias de interesse do governo – principalmente as da área econômica; aos bolsonaristas, prometeu garantir o avanço de pautas como a anistia a Jair Bolsonaro e aos réus dos atos de 8 de janeiro.
“Sou um defensor intransigente do diálogo, da construção coletiva, e das soluções compartilhadas. Para mim, governar é ouvir e liderar é servir. E é disso que o nosso país precisa agora: uma liderança que una e não que divida”, disse Alcolumbre, durante discurso aos parlamentares.
Durante seu discurso de posse, Alcolumbre também prometeu fortalecer o Senado e deu alguns recados ao STF. O principal deles: que pode peitar o Supremo se houver novas limitações ao uso das emendas parlamentares. No final de 2024, o ministro Flávio Dino não somente suspendeu o pagamento das emendas de comissão, como determinou ao Congresso que estabelecesse novas regras de transparência para este dispositivo.
“Quero ser claro: é essencial respeitarmos as decisões judiciais, é essencial respeitarmos o papel do Judiciário em nosso sistema democrático, mas é igualmente indispensável respeitar as prerrogativas do Poder Legislativo e garantir a este Parlamento que possa exercer o seu dever constitucional de legislar e representar o povo brasileiro”, disse ele.
“Essa garantia pelas prerrogativas do mandato vai muito além das questões orçamentárias: tem a ver com o mandato popular, o mandato parlamentar que é assegurado pela Constituição Federal”, complementou Alcolumbre.
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