Retrospectiva: o dia em que Carlos Lupi foi demitido pelos rolos com o INSS
Lupi foi substituído pelo ex-deputado federal Wolney Queiroz, então secretário-executivo da Previdência Social
O ministro da Previdência, Carlos Lupi, deixou o governo Lula em 2 de maio após a revelação do escândalo dos descontos ilegais de aposentadorias e pensões descoberto pelas investigações da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal.
Lupi foi substituído pelo ex-deputado federal Wolney Queiroz, então secretário-executivo da Previdência Social. Natural de Caruaru (PE), Wolney é filiado ao PDT desde os anos de 1992 e já foi líder da sigla na Câmara.
Lupi ficou insatisfeito com a decisão do presidente Lula de não o consultar sobre a nomeação de Gilberto Waller Júnior para a presidência do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) no lugar de Alessandro Stefanutto, exonerado após a deflagração da operação Sem Desconto da PF.
Outro ponto que pesou na decisão de Lupi foi a fritura pública desencadeada pelo Palácio do Planalto. Tanto o presidente Lula, quanto outros integrantes do governo evitaram, nos últimos dias, defender publicamente Lupi, embora as investigações não tenham apontado – até agora – a participação do ministro no esquema de descontos ilegais.
Apesar disso, o próprio presidente da República – conforme apurou este portal – ficou incomodado pela forma leniente como tanto o Ministério da Previdência quanto o INSS lidou com os alertas feitos pela Controladoria-Geral da União sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
Essa foi a segunda vez que Lupi pede demissão de um governo petista. Durante a gestão Dilma Rousseff, quando era ministro do Trabalho em 2011, ele também sofreu com uma fritura pública. Na época, ele foi acusado de ter acumulado, de forma ilegal, dois cargos de assessor parlamentar em órgãos públicos distintos.
Lupi é alvo de representação criminal na PGR; Lula tenta se esquivar
O líder da oposição na Câmara dos Deputados, Luciano Zucco (PL-RS), chegou a protocolar na Procuradoria-Geral da República (PGR), uma representação criminal contra o ministro da Previdência Social. O deputado alegou que Lupi cometeu omissão dolosa diante do esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões.
Na representação, destinada ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, Zucco pediu que seja instaurado um procedimento de apuração criminal contra Lupi para ser avaliada a participação dele nos eventos investigados pela Operação Sem Desconto, da Polícia Federal; ou que seja solicitado o compartilhamento das investigações sobre o caso, para que, havendo indícios que impliquem a participação do ministro nos fatos em apuração, o Supremo Tribunal Federal (STF) seja provocado.
A representação ficou na gaveta de Gonet.
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