Retrospectiva: o dia do perdão entre Gilmar Mendes e Barroso
Antes de encerrar sua homenagem, o decano elogiou a trajetória de Barroso no STF, especialmente como presidente da Corte
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na sessão de despedida de Luís Roberto Barroso, em 9 de outubro, que não guarda “mágoas” do ministro.
Os dois integrantes da Corte já protagonizaram discussões e trocas de acusações no plenário.
“Um dos momentos talvez mais difíceis que nós enfrentamos. Sua Excelência sabe do apoio que emprestei, e não foi nenhum favor, mas, na verdade, um dever cívico durante esses dois anos difíceis. Certamente, os dois anos mais difíceis pelo menos da minha vivência no tribunal. Opero, sempre que posso, como o paradigma da ética, da responsabilidade, de que fala Weber, um clássico. Por isso, também, não guardo mágoas. O compromisso tem que ser com a instituição, isso que é fundamental e essa é a lição que nós todos devemos ter e cultivar. Olhemos para frente e saibamos ser dignos das funções que nós recebemos“, afirmou.
Antes de encerrar sua homenagem, o decano (foto) elogiou a trajetória de Barroso no STF, especialmente como presidente da Corte entre os anos de 2023 e 2025.
Tenho certeza, ministro [Luís Roberto] Barroso, que a história vai reconhecer o seu papel não só na sua judicatura marcante, mas também dos dois anos que, de modo bastante desafiador, marcaram a sua gestão. Nós, diz um autor argentino, Alberto Mangel, somos consequências dos nossos pecados ou virtudes passados. Mas isso não significa que não possamos ir além deles. Somos o que somos, mas transformados naquilo que nos esforçamos por nos tornar. Nós contemos, diz ele, possibilidades infinitas de metamorfose. Seja para nos tornarmos praga, parasita ou cisne. Vossa Excelência trilhou o melhor caminho. Um grande abraço, seja feliz“, disse Gilmar.
Em seguida, Gilmar levantou-se de sua cadeira e deu um abraço (foto) em Barroso.
“Mistura do mal com atraso”
Os dois ministros protagonizaram duas discussões no plenário.
Em 2017, durante um embate acalorado, Barroso afirmou que Gilmar era uma “mistura do mal com atraso, com pitadas de psicopatia”.
Em outra ocasião, Barroso acusou o colega de ter uma “parceria com a leniência em relação à criminalidade do colarinho branco”, em referência aos votos de Gilmar em julgamentos envolvendo políticos e empresários.
Trajetória
Barroso foi indicado ao Supremo pela então presidente da República, Dilma Rousseff (PT), em 2013. Tomou posse como ministro 26 de junho daquele ano.
Ele foi presidente da Corte de 28 de setembro de 2023 até 29 de setembro de 2025, quando foi sucedido por Edson Fachin.
Ele presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 25 de maio de 2020 até 22 de fevereiro de 2022.
Leia mais: Barroso anuncia aposentadoria do STF
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)