Retrospectiva: o dia da prisão do “Careca do INSS”
As prisões são decorrentes da Operação Cambota, um desdobramento da Operação Sem Desconto deflagrada pela PF
A Polícia Federal prendeu em 12 de setembro deste ano o lobista e operador financeiro Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS” (foto), e o empresário Maurício Camisotti.
Ambos são acusados de envolvimento em fraudes no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).
As prisões são decorrentes da Operação Cambota, um desdobramento da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões.
Além dos dois mandados de prisão, a PF cumpriu 13 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, no estado de São Paulo e no Distrito Federal.
Em nota, a PF informou que a operação apura os crimes de “impedimento ou embaraço de investigação de organização criminosa, dilapidação e ocultação de patrimônio, além da possível obstrução da investigação por parte de alguns investigados”.
Intermediário dos sindicatos e associações, Antônio Carlos Antunes é acusado de ter transferido 9,3 milhões de reais para pessoas relacionadas a servidores do INSS entre 2023 e 2024.
Camisotti, por sua vez, seria beneficiário das fraudes na Previdência.
O advogado Nelson Willians foi alvo de busca e apreensão da operação devido a transações financeiras consideradas suspeitas pelo Coaf e encaminhadas à Polícia Federal.
CPMI e o “Careca do INSS”
A prisão do “Careca do INSS” ocorreu um dia após a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovar o requerimento de quebra e transferência do sigilo de dados bancários e fiscais do lobista.
No caso dos dados bancários, os parlamentares querem acesso, especificamente, às informações de movimentação financeira, entre janeiro de 2022 e julho de 2025, de todas as contas de depósitos, de poupança, de investimento e de outros bens, direitos e valores, inclusive mobiliários, assim como das operações com cartão de crédito.
Já no caso dos dados fiscais, querem as declarações de Imposto de Renda, entre janeiro de 2022 e julho de 2025, acompanhadas de dossiê integrado com amparo, no que couber, em diferentes bases de dados que o senador indica.
“Em reunião com os líderes, chegou-se ao seguinte entendimento em relação aos requerimentos de transferência de sigilo: nas transferências de sigilos das entidades, associações e pessoas jurídicas a elas relacionadas, será considerado o período a partir da data de celebração do Acordo de Cooperação Técnica com o INSS até a presente data”, explicou o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG).
Foram aprovados pedidos também para envio de relatórios por parte do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) à comissão. Um deles é para que a comissão envie o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) referente ao Careca do INSS, entre janeiro de 2022 e julho de 2025.
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