Resistência no PP trava vice de Tereza Cristina
Dirigentes estaduais do Progressistas defendem neutralidade e dificultam tentativa do PL de atrair a senadora para a chapa presidencial
A tentativa do PL de ampliar sua aliança para a disputa presidencial enfrenta obstáculos dentro do Progressistas. A maior parte dos dirigentes estaduais do PP se posicionou contra a indicação da senadora Tereza Cristina (MS) como candidata a vice na chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro.
Nos últimos dias, lideranças regionais comunicaram ao presidente nacional da sigla, senador Ciro Nogueira (PI), que preferem manter a neutralidade do partido na corrida ao Palácio do Planalto. A avaliação é de que o PP deve preservar autonomia para negociar alianças de acordo com a realidade política de cada estado.
Segundo deu a CNN, os dirigentes argumentam que uma posição independente permite ao partido manter acordos tanto com aliados do presidente Lula (PT) quanto com o grupo de Flávio Bolsonaro, dependendo da composição regional.
O cenário varia entre os estados. Enquanto Pernambuco, Paraíba e Maranhão caminham para alianças com o PT, diretórios como os de São Paulo e Paraná permanecem próximos ao PL.
Além da resistência política, há entraves internos. Integrantes do PP afirmam que o estatuto da legenda exige a convocação da convenção nacional com antecedência mínima de oito dias, regra que só poderia ser dispensada com consenso da cúpula partidária.
O deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE) afirmou que votou pela neutralidade e considera inviável uma mudança de rumo neste momento. Sem unanimidade para dispensar o prazo estatutário, a convocação da convenção não poderia ocorrer, o que impediria a formalização de uma indicação para a vice.
Outro fator apontado por dirigentes é que o PP integra uma federação com o União Brasil, o que exigiria também o aval da legenda parceira para qualquer composição nacional.
Na última quinta-feira, 30, Tereza Cristina confirmou que se reuniu com Flávio Bolsonaro para discutir o cenário eleitoral. A senadora, no entanto, afirmou que uma eventual composição depende de avaliações políticas, pessoais e de entendimentos partidários.
Apesar da cautela pública, aliados da parlamentar afirmam que ela sinalizou disposição para aceitar o convite. A possibilidade, porém, segue esbarrando na resistência interna do Progressistas, enquanto o PL continua buscando ampliar sua coligação com partidos como Republicanos e Podemos.
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