Republicanos, a nova pedra no sapato de Flávio Bolsonaro
Divisão interna da legenda, impasse sobre a vice e desgaste com aliados mantêm indefinido o apoio do partido à candidatura do senador
A tentativa do PL de ampliar a aliança em torno da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro esbarra em um novo obstáculo: o Republicanos. A legenda segue dividida sobre um eventual apoio nacional ao senador e, nos bastidores, dirigentes admitem que a indefinição deve se prolongar. O cenário se soma às dificuldades enfrentadas pela pré-campanha para fechar a vaga de vice e consolidar uma coalizão para a disputa ao Palácio do Planalto.
Apesar de a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques despontar como favorita para ocupar a vice na chapa, interlocutores do Republicanos afirmam que seu nome nunca foi debatido internamente como uma indicação da legenda. Sem histórico partidário no partido, sua eventual escolha não seria suficiente para destravar as negociações nem garantir apoio automático à candidatura de Flávio Bolsonaro.
O “racha” no partido se divide entre dirigentes que defendem uma composição com o PL e uma ala mais próxima do governo Lula, da qual fazem parte lideranças como o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o líder da bancada na Câmara, Augusto Coutinho (Republicanos-PE). Esse grupo avalia que a legenda deve preservar a neutralidade na disputa presidencial e manter liberdade para que diretórios estaduais construam alianças de acordo com a realidade local.
A indefinição tem impacto direto na estratégia eleitoral do PL. Caso o Republicanos opte pela neutralidade, Flávio Bolsonaro deixará de incorporar o tempo de propaganda eleitoral da legenda. O mesmo impasse envolve a federação União Progressista (União Brasil-PP), que também ainda não definiu se apoiará uma candidatura de direita ou permanecerá neutra na eleição presidencial.
O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, tem evitado antecipar qualquer decisão e continua ouvindo diferentes correntes da legenda antes de anunciar a posição oficial do partido.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), uma das principais lideranças do partido e aliada histórica do ex-presidente Jair Bolsonaro, reduziu sua participação nas articulações da campanha após divergências com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Embora continue declarando publicamente apoio à candidatura de Flávio, o desgaste entre as duas lideranças levou Damares a se resguardar, ainda que indiretamente, da pré-campanha.
Sobre a participação da senadora na convenção que vai apresentar Flávio como candidato ao Planalto, ainda não há uma definição da agenda dela para o próximo final de semana, segundo a assessoria, mas que, em caso positivo, irão informar a redação de O Antagonista.
Sem vice
A definição da vice também permanece em aberto. O coordenador da pré-campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que o nome não deverá ser anunciado durante a convenção nacional do partido, marcada para sábado, 25, em São Paulo.
Na última terça-feira, 21, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, informou que a senadora Tereza Cristina (PP-MS) recusou o convite para integrar a chapa de Flávio Bolsonaro, optando por concentrar sua atuação na disputa pela Presidência do Senado.
De acordo com interlocutores do Republicanos ouvidos por O Antagonista, a avaliação é que a definição da vice é um tema secundário. Antes de discutir nomes, a legenda quer decidir se vale a pena atrelar seu projeto nacional à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Aval nacional
A indefinição também se reflete em Minas Gerais, onde o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) ainda não confirmou se disputará o governo do estado ou tentará a reeleição ao Senado. A decisão é considerada estratégica para a legenda e vem sendo acompanhada de perto pela direção nacional, que evita acelerar definições enquanto o cenário eleitoral permanece aberto. Fontes ligadas ao partido no estado avaliam que o impasse mineiro é mais um indicativo de que o Republicanos pretende adiar decisões nacionais e estaduais até a reta final das articulações políticas.
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