Repetição da chapa Bolsonaro-Mourão teria evitado tudo isso?
"Se eu tivesse sido o candidato a vice dele, nós teríamos ganho", diz o senador, que foi substituído por Braga Netto na chapa presidencial
O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS, foto) disse, em entrevista à Folha de S.Paulo, que não haveria processo sobre tentativa de golpe de Estado caso ele tivesse sido mantido como vice na chapa com Jair Bolsonaro para a eleição de 2022, porque eles teriam conquistado a reeleição.
Ao ser questionado por que foi “escanteado” e substituído pelo general Walter Braga Netto na chapa presidencial, Mourão, um dos raros membros do alto-escalão do governo Bolsonaro que não está sob julgamento pela trama golpista, disse o seguinte:
“Quando o Bolsonaro escolheu, não quis mais que eu fosse o vice dele, ele deixou de me chamar para reunião ministerial, eu não participei de mais nada. Eu acho que, se eu tivesse sido o candidato a vice dele, nós teríamos ganho.”
A Folha retrucou a análise do senador questionando: “Em caso de vitória governista, então o que Bolsonaro, Braga Netto e outros militares enfrentam agora não estaria acontecendo?”
E Mourão respondeu, “entre risos”, segundo o jornal: “Nada, não tinha acontecido nada, estava todo mundo feliz da vida, pô”.
Braga Netto
Na entrevista, Mourão também reclamou da prisão preventiva de Braga Netto, que foi detido sob a suspeita de estar tentando interferir no andamento do inquérito da trama golpista, no qual é julgado agora como réu por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes correlatos.
Segundo o senador, a prisão de Braga Netto é “injusta e absurda, porque ele não estava obstruindo a Justiça”. “Mas, dentro da visão que o Alexandre de Moraes tem, é simbólico. Ele mantém um general de quatro estrelas preso”, completou Mourão.
A defesa de Braga Netto apresentou na quinta-feira, 24, um novo pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que a prisão do general seja convertida em medidas cautelares.
Na solicitação, os advogados do ex-ministro da Defesa alegam o “princípio da isonomia”, usando como exemplo a decisão de Moraes que determinou o uso de tornozeleira eletrônica por Bolsonaro, entre outras medidas cautelares alternativas à prisão preventiva.
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