Renan critica imprensa e diz que eleição terá “30 dias de sofrimento”
Candidato do Missão afirmou que jornalistas deveriam confrontar mais os políticos e explicou por que usa colete à prova de balas
O candidato à Presidência Renan Santos criticou nesta segunda-feira, 7, a cobertura da imprensa sobre as eleições e afirmou que jornalistas têm adotado posturas diferentes ao entrevistar os candidatos. Durante agenda em São Paulo, ele disse que, em entrevistas anteriores à Globo e à CNN, percebeu uma disposição maior para confrontá-lo e explorar suas posições.
Segundo Renan, os demais candidatos seriam submetidos a entrevistas menos incisivas, com perguntas sobre escândalos ou temas genéricos e respostas previamente preparadas pelas campanhas.
“O jornalista podia ser jornalista comigo. Com os demais não há. Eles vão falar de escândalos ou de platitudes e as respostas são respostas ensaiadas com marqueteiros”, afirmou.
Para o candidato do Missão, a eleição foi construída dentro desse modelo, que classificou como “muito triste”. Ele disse acreditar, porém, que existe uma parcela do eleitorado capaz de romper com o que chamou de “mentira” e “enganação”.
Renan afirmou que esse grupo está espalhado pelo país e que há uma espécie de unidade entre eleitores de diferentes regiões. “Esses brasileiros estão presentes em todo o território nacional”, declarou.
O candidato também disse que existe um recorte geracional e de nível de esclarecimento entre esses eleitores. Segundo ele, os próximos 30 dias serão decisivos para ampliar esse grupo.
“Essas pessoas que têm esse esclarecimento têm agora 30 dias para despertar o resto, despertar o resto do sono, da mentira, da enganação”, afirmou.
Na avaliação de Renan, o período até a eleição será de dificuldades. “Nós nunca dissemos que seria fácil, mas a glória e o futuro só são gloriosos se vêm depois de muito sofrimento. Então são 30 dias de sofrimento até lá”, disse.
Colete à prova de balas
Questionado sobre o uso de colete à prova de balas, Renan afirmou que não utiliza o equipamento em todas as agendas e rejeitou o que chamou de “colete performático”. No domingo, 6, ele participou de uma carreata em Fortaleza usando proteção balística. Segundo a campanha, a medida ocorreu diante de ameaças atribuídas a facções criminosas.
Renan explicou que o uso do colete ocorre quando há recomendação de segurança ou risco considerado iminente.
“Eu, quando coloco colete à prova de balas, é por recomendação da Comissão Federal, em lugares onde há ameaças ou onde há um risco iminente”, afirmou.
Ele citou como exemplos uma agenda na favela Vicente Pinzón, em Fortaleza, e uma passagem pelo Largo São Francisco, em São Paulo, onde, segundo ele, teria recebido uma ameaça prévia de um estudante. Também mencionou uma agenda em uma área do Jardim Panorama, que classificou como dominada pelo PCC.
O candidato afirmou ainda que não gosta de utilizar o equipamento e criticou políticos que, segundo ele, usam o colete como instrumento de imagem.
“Existe hoje o colete performático, colete à prova de balas que colocam para falar: ‘Ah, o sistema está atrás de mim’. Eu não gosto de usar colete”, disse.
Renan afirmou que, quando não houver recomendação de segurança, não pretende usar a proteção. “Se eu não preciso, eu não estarei. Essa é a ideia”, declarou.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)