Ratinho é investigado por suposta discriminação contra LGBTQIA+
Polícia Civil paulista abre inquérito após três episódios em dois meses no Programa do Ratinho, apresentado no SBT
A Polícia Civil de São Paulo instaurou na quinta-feira, 21, um inquérito para apurar condutas discriminatórias contra pessoas LGBTQIA+ atribuídas ao apresentador Carlos Massa, o Ratinho, exibidas no SBT.
O fator determinante para a abertura da investigação foi a repetição dos episódios: três ocorrências registradas em um intervalo de 60 dias. O caso tramita sob sigilo no 7º Distrito Policial de Osasco e tem prazo inicial de 30 dias, podendo ser prorrogado. Ratinho e funcionários de seu programa devem ser convocados a depor.
Três episódios, três frentes jurídicas
Segundo a coluna, o primeiro caso foi em março deste ano, quando Ratinho contestou a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados.
O apresentador afirmou que ela “não era indicada” para o posto por ser transexual. A parlamentar ingressou com ação por transfobia, reclama direito de resposta ao SBT e pede indenização. O apresentador, por sua vez, acionou a deputada por difamação.
O segundo episódio ocorreu no início de maio, quando Ratinho declarou ficar “preocupado” ao ver casais do mesmo sexo se beijando em público. A repercussão nas redes sociais levou o Ministério Público a receber queixas e iniciar investigação autônoma sobre as falas.
O terceiro caso, datado de 11 de maio, ocorreu no quadro Dez ou Mil, onde o apresentador teria feito comentários de cunho homofóbico com participantes LGBTQIA+, sugerindo que eles não seriam “machos de verdade”.
Emissora fora do inquérito; partes não comentam
De acordo com informações da coluna, o SBT não figura como investigado no inquérito policial aberto pela Polícia Civil, ainda que seja a emissora responsável pela exibição do programa. Procurada, a emissora optou por não se manifestar.
A assessoria de imprensa de Ratinho informou, por mensagem, que o apresentador não faz comentários sobre questões jurídicas.
A Secretaria de Segurança Pública confirmou a existência da investigação e afirmou que “demais detalhes serão preservados para garantir autonomia ao trabalho”.
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