Quem foi o único senador a votar contra o fim da escala 6×1?
Foram 75 votos a favor da PEC patrocinada pelo governo Lula e apenas um voto contrário
O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único a votar contra a PEC que põe fim à escala de trabalho 6×1, aprovada na quarta-feira, 14, no Senado.
Foram 75 votos a favor do texto em primeiro turno e segundo turno e apenas um voto contrário.
Mourão não se manifestou durante a sessão, mas já vinha se posicionando contra a medida populista patrocinada pelo governo Lula.
Na semana passada, em entrevista à TV Senado, Mourão afirmou que a PEC age como um “míssil” sobre uma “economia que já está cambaleando”.
“Ele é péssimo porque num sistema aqui, como nós temos, onde a produtividade é baixa, a informalidade é alta, a legislação trabalhista é conflitiva, a mão de obra não tem a qualificação necessária pelos problemas do nosso sistema educacional, a gente efetuar a modificação dessa natureza em pleno período eleitoral será muito ruim”, afirmou.
A PEC reduz a jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40 horas, com a concessão obrigatória de dois dias de folga. Um deles aos domingos. O texto proíbe a redução de salários dos trabalhadores.
Resistência da oposição
O texto sofreu resistência da oposição, que tentou atrasar ao máximo a votação. Mas integrantes de siglas como PL não conseguiram obstruir a sessão de quarta-feira.
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), atribuiu a um “cálculo eleitoral” a mudança de posição da oposição em relação ao fim da escala 6×1.
“Eu acho que é cálculo eleitoral [a mudança de postura da oposição]. Porque eles sempre disseram que nós é que estávamos fazendo dessa PEC um caráter eleitoreiro. Eu mesmo fui acusada disso. ‘É uma PEC eleitoreira, tinha que esperar terminar a eleição’, e nós dizíamos que não. Essa PEC foi protocolada em 2019. O governo Bolsonaro foi que não botou ela para andar“, falou Teresa Leitão, em entrevista a jornalistas.
Populismo
Durante a tramitação da PEC que coloca fim à escala de trabalho 6×1, parlamentares governistas fizeram um evidente esforço para associar redução da jornada de trabalho ao governo Lula.
O petista abraçou o projeto com o claro objetivo de angariar votos, sem demonstrar muito interesse nas consequências da medida.
Ao longo da campanha eleitoral, Lula exibiu cartazes pela aprovação do projeto, ecoando a narrativa de que o trabalhador precisa de mais tempo para descansar e ficar com a família.
“A escala 6×1 acabou!
Uma conquista histórica para milhões de trabalhadores e trabalhadoras, que agora terão mais tempo para descansar, estar com a família, cuidar de si e viver.
Quem constrói o Brasil todos os dias também merece tempo para viver.
É o Brasil pronto para mais!”, publicou o petista no X após a aprovação.
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