Quem é o ex-metalúrgico investigado pela PF em caso ligado a Jaques Wagner
Investigação aponta que Luiz Antônio Lombardi teria atuado como "pessoa interposta" na negociação de um apartamento de R$ 2,45 milhões
Um ex-metalúrgico que administrava oficinas mecânicas em São Paulo passou a comandar empresas com capital social de R$ 56 milhões e hoje está no centro da investigação da Polícia Federal sobre a negociação de um apartamento de R$ 2,45 milhões ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA), publica O Globo. Segundo a PF, Luiz Antônio Lombardi teria atuado como “pessoa interposta” para ocultar os verdadeiros responsáveis pela transação.
O imóvel, em Salvador, é apontado pela Polícia Federal como uma “vantagem indevida” destinada ao parlamentar em troca de suposta atuação política no Congresso.
A negociação envolveu a Epitome S.A., empresa administrada por Lombardi e responsável pela compra, que acabou não sendo concluída.
Lombardi é amigo de infância do advogado Daniel Monteiro, apontado como operador do suposto esquema envolvendo o ex-sócio do Banco Master Augusto Lima. Entre 2021 e 2024, o ex-metalúrgico passou a administrar empresas ligadas a Monteiro, incluindo a Epitome, que juntas somam capital social de R$ 56 milhões.
Até poucos anos atrás, Lombardi administrava oficinas mecânicas e, segundo pessoas que trabalharam com ele, enfrentava dificuldades financeiras. Um ex-sócio disse ao Globo que o empresário nunca investiu recursos no negócio, enquanto registros mostram que ele chegou a responder a uma cobrança judicial por uma dívida de IPTU em Praia Grande (SP).
Leia mais: PF vê apartamento de R$ 2,4 mi em Salvador como propina para Jaques Wagner
O que dizem as defesas
Lombardi afirmou que não é proprietário da Epitome, “tendo tão somente administrado referida empresa”.
Sua defesa acrescentou que ele “efetivamente exerceu a gestão das empresas a que esteve vinculado”.
Já a defesa de Augusto Lima afirmou que “ele jamais adquiriu o imóvel mencionado e não possui participação nas empresas apontadas como supostas compradoras na negociação”.
Diz ainda que:
“A investigação também não demonstra qualquer atuação funcional por parte do senador Jaques Wagner em benefício de Augusto Lima ou do Banco Master, requisito indispensável para a configuração dos crimes investigados.”
Wagner já sabia que seria alvo da PF?
Um vídeo publicado por O Globo mostra que o senador Jaques Wagner, ex-líder do governo Lula no Senado, conversou a sós com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, dias antes de virar alvo da Operação Compliance Zero.
A conversa ocorreu em 9 de junho, durante um evento da Presidência da República no Palácio do Planalto.
No dia seguinte, 10 de junho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, assinou a representação que autorizou a nona fase da Operação Compliance Zero.
As buscas na casa do senador na Bahia e no hotel onde mora em Brasília ocorreram em 18 de junho..
A PF apreendeu 55 mil dólares e 33 mil euros nos endereços ligados a Wagner.
Os investigadores também encontraram indícios de que o petista recebeu pagamentos do Master pela empresa da nora, além de ganhar um apartamento de presente avaliado em 2,45 milhões de reais e viajar com frequência nos jatos de Daniel Vorcaro, ex-dono do Master.
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