Quadrilha usava IA para clonar vozes de advogados
Estelionatários enganaram clientes com processos na Justiça usando decisões falsas e tecnologia de reprodução de voz
Oito integrantes de uma organização criminosa especializada em fraudes contra jurisdicionados foram presos nesta terça-feira, 19 de maio, em São Paulo, durante operação conjunta da Polícia Civil e da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP).
O grupo é suspeito de ter desviado aproximadamente R$ 10 milhões em seis meses, ao se passar por advogados e manipular vítimas para que realizassem transferências bancárias.
Como o esquema era operado
A quadrilha mantinha uma central telefônica estruturada para abordar pessoas com ações judiciais em andamento. Os contatos eram feitos em nome de advogados reais, cujas identidades eram usadas sem autorização. Para tornar a fraude mais convincente, o grupo recorria a recursos tecnológicos capazes de reproduzir a voz dos profissionais — o que dificultava a identificação do crime pelas vítimas.
A promessa era sempre a mesma: a liberação de valores atrelados a processos judiciais, condicionada a depósitos prévios. Decisões judiciais falsas eram apresentadas como prova da suposta operação.
Dimensão do crime e da operação policial
Doze vítimas foram identificadas até o momento, no interior e no litoral paulista. Um morador de São José do Rio Preto, cidade que sediou as investigações, transferiu R$ 35 mil aos golpistas. O delegado seccional Everson Aparecido Contelli disse à Agência SP que “o número de vítimas e o prejuízo total podem ser ainda maiores, pois há casos que não houve registro”.
Uma das presas teria movimentado mais de R$ 3 milhões em contas bancárias sem comprovação de origem lícita dos recursos. A Polícia Civil aponta que a organização tinha alcance nacional, com indícios de vítimas em outros estados.
A operação, batizada de SP Advocacia Mais Segura, mobilizou 70 policiais e 25 viaturas. Foram cumpridos 26 mandados judiciais — 10 de prisão temporária e 15 de busca e apreensão —, além de ordens de sequestro de bens destinados ao ressarcimento das vítimas. Os detidos responderão por estelionato, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
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