PT quer cassar mandato de Gayer após ele chamar Gleisi de ‘cafetina’
Partido também apresentou uma representação na Procuradoria-Geral da República para investigar o parlamentar goiano
Integrantes da bancada do PT na Câmara vão apresentar denúncias ao Conselho de Ética da Casa e à Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar a conduta do deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), após o congressista ter afirmado que Lula tratou a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, como”uma cafetina”.
A declaração de Gayer foi uma ironia à fala de Lula que, durante um evento no Palácio do Planalto nesta quarta-feira, disse que nomeou “uma mulher bonita” para a Secretaria de Relações Institucionais como forma de não ter “mais distância” dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil) e Hugo Motta (Republicanos).
“É muito importante trazer aqui o presidente da Câmara e o presidente do Senado. Porque uma coisa que quero mudar, estabelecer relações com vocês. Por isso coloquei essa mulher bonita para ser ministra de Relações Institucionais, porque não quero mais ter distância de vocês”, afirmou o petista durante cerimônia no Palácio do Planalto.
‘Cafetina’ x ‘cafetão’ Lula
Horas depois, Gayer declarou no plenário da Câmara que Lula tratou a sua auxiliar como uma “cafetina”. Houve reação em massa dos integrantes do PT contra a declaração de Gayer, embora eles não tenham feito qualquer manifestação sobre a declaração do presidente da República.
“Então, nós da Direita, nos sentimos na obrigação de vir aqui e nos posicionar, prestando nossa solidariedade a uma mulher que foi tratada de forma tão desrespeitosa, como uma cafetina, por um cafetão, o Lula, Presidente da República, que praticamente a ofereceu como objeto sexual para poder fazer negociação com o Congresso”, declarou Gayer.
As bancadas femininas do PT da Câmara e Senado reagiram. Elas emitiram uma nota oficial criticando a postura do deputado. Mas ficaram em silêncio em relação às falas de Lula. Agora, os petistas vão protocolar um pedido de cassação de mandato contra o deputado goiano.
“As declarações do deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) não só desrespeitam as mulheres na política, como também reforçam discursos machistas, misóginos e violentos que precisamos combater diariamente. O parlamento não pode compactuar com esse tipo de violência”, afirmaram as parlamentares.
“Ter um representante com esse tipo de postura é uma vergonha para o Parlamento brasileiro. A tentativa de desqualificar mulheres por meio de insinuações sexistas não é apenas um ataque à sua dignidade, mas também um atentado contra todas que lutam por espaço e respeito na sociedade. O machismo na política é uma ferramenta histórica de silenciamento e intimidação, e não podemos normalizá-lo”, concluíram.
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