PT quer usar caso Master para minar candidatura de Flávio
Partido planeja associar Centrão, Vorcaro e Flávio Bolsonaro, com o intuito de desgastar potenciais parceiros eleitorais
Depois que Ciro Nogueira, presidente do PP, se tornou alvo da Polícia Federal, suspeito de ter recebido até R$ 500 mil mensais do banqueiro Daniel Vorcaro, líderes e aliados de Lula tentam articular uma narrativa que vincule Banco Master, integrantes do Centrão e a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
De acordo com O Globo, o episódio serviu para que o Palácio do Planalto refizesse os cálculos eleitorais e transformasse a crise em oportunidade para enfraquecer o adversário e conter uma possível aliança entre a federação União Brasil-PP e o senador.
Operação muda o tabuleiro eleitoral
Ciro Nogueira era apontado por uma ala do PL como nome preferencial para compor a chapa de Flávio Bolsonaro como vice na disputa presidencial. Com a operação da PF, esse cenário passou a ser visto como politicamente custoso para o campo bolsonarista.
Desde o ano passado, o PT já trabalhava para que a federação União Brasil-PP permanecesse neutra na disputa nacional. Um dirigente do União Brasil chegou a indicar que havia perspectiva de formalização do apoio a Flávio ainda em maio de 2026.
Horas após o início da operação, o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta, antecipou o tom que os aliados pretendem adotar: “Defendo que o Congresso Nacional dê uma resposta firme ao Brasil: não pode haver qualquer suspeita de acordão para abafar as investigações do Banco Master. A nova fase da Operação Compliance Zero mostra a intimidade do coração do governo Bolsonaro com o esquema do ‘BolsoMaster’”.
O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), foi na mesma direção: “O alvo Ciro Nogueira era o nome ‘com todas as credenciais’ para ser vice de Flávio Bolsonaro na chapa dos sonhos da extrema-direita. Agora, segundo a PF, esse mesmo Ciro teria recebido mesada de até R$ 500 mil de Daniel Vorcaro e atuado em favor do Banco Master”.
Boulos, como sempre, fora de tom
Ainda segundo O Globo, a ideia é que membros do governo não comentem a operação desta rodada, para evitar que a oposição interprete as ações da PF como represália à rejeição, pelo Senado, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal — derrota considerada a mais expressiva do governo Lula no Congresso.
O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, foi uma das poucas vozes do alto escalão a se pronunciar: “O vice dos sonhos de Flávio Bolsonaro: Ciro Nogueira, da mesada de 300 mil do Master. Precisa desenhar?”.
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