PT diz que Lula aceitou condições de Flávio para abrir sigilos
Camilo Santana, Edinho Silva e Boulos afirmaram que petista autorizou divulgação dos dados e cobraram acesso antes do segundo turno
A campanha do presidente Lula (PT) afirmou nesta quinta-feira, 22, que protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma petição em que o candidato aceita as condições apresentadas por Flávio Bolsonaro (PL) para a abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos. Em coletiva de imprensa, representantes do partido cobraram que os dados sejam divulgados antes do segundo turno, marcado para domingo, 25.
O anúncio foi feito pelo senador Camilo Santana (PT-CE), ao lado do presidente nacional do PT, Edinho Silva, e do deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP). Segundo Camilo, o documento foi assinado por Lula e prevê a autorização recíproca dos dois candidatos para a divulgação das informações em um site de acesso público.
“Não adianta também depois da eleição. É preciso que todas as autorizações sejam feitas hoje para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão e quem não é ladrão neste país”, afirmou Camilo.
A iniciativa dá sequência ao desafio lançado por Lula durante o debate presidencial da Band, no domingo, 18. O petista propôs que os dois candidatos autorizassem a abertura dos próprios sigilos e de informações relacionadas a familiares e empresas vinculadas a eles.
Impasse envolve empresa ligada a Flávio
Um dos principais pontos de divergência foi a inclusão da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, associada ao advogado Willer Tomaz, apontado como amigo de Flávio. Segundo informações divulgadas pela imprensa, documentos obtidos pela Polícia Federal indicam que o senador compartilhava uma conta bancária com Tomaz no Santander relacionada à empresa.
De acordo com Camilo, a campanha de Flávio havia tentado excluir a empresa da autorização. O representante petista afirmou que o partido insistiu na inclusão da companhia para que o compromisso de transparência abrangesse também as relações empresariais questionadas durante a campanha.
“O presidente Lula não tem nenhuma restrição. Não colocou nenhuma restrição”, disse Camilo, ao sustentar que o petista aceitou as condições apresentadas pelo adversário.
O senador afirmou ainda que o ministro André Mendonça, responsável pela análise do caso no TSE, poderá requisitar informações sobre a empresa e as relações comerciais mencionadas pela campanha petista.
As suspeitas envolvendo a companhia e seus vínculos com Flávio foram citadas pelos representantes do PT como justificativa para cobrar a divulgação dos dados. As alegações, porém, não equivalem a uma comprovação de irregularidade.
PT cobra divulgação antes da votação
Durante a coletiva, Camilo afirmou que a campanha espera que o Judiciário e o Ministério Público atuem com rapidez para que as informações sejam disponibilizadas antes da votação de domingo.
O petista também disse que a campanha pretende acompanhar a publicação dos dados em uma plataforma pública e cobrar o cumprimento do compromisso firmado pelas duas candidaturas.
“Quem vai julgar o Flávio vai ser o Brasil no dia 25”, declarou.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, e Guilherme Boulos acompanharam a apresentação da petição, em um movimento que busca transformar a disputa sobre a abertura dos sigilos em um tema central da reta final da campanha.
A divulgação efetiva das informações, no entanto, depende dos procedimentos e das decisões das autoridades competentes. A assinatura das autorizações, por si só, não significa que todos os dados já estejam disponíveis ao público.
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