PT banca campanha de Lula, enquanto Flávio atrai doadores do agro
O PT repassou 115 milhões de reais por meio do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral
As campanhas do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) apresentam diferenças no perfil dos recursos utilizados no segundo turno da disputa presidencial. Enquanto a candidatura petista tem a maior parte de sua arrecadação proveniente de repasses do próprio partido, o senador recebeu milhões de reais em doações individuais, com destaque para empresários ligados ao agronegócio.
Dados do DivulgaCandContas, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostram que a campanha de Flávio recebeu 20,3 milhões de reais em doações de pessoas físicas entre 5 e 16 de outubro, já durante o segundo turno. No mesmo período, Lula recebeu 772,5 mil reais nessa modalidade, segundo levantamento da Folha de S.Paulo.
Apesar da diferença nas contribuições individuais, o presidente liderava a arrecadação total até o período analisado. Lula havia declarado 118,4 milhões de reais em receitas, contra 95,5 milhões de Flávio. A diferença é explicada, em grande parte, pelos recursos transferidos pelos partidos às candidaturas.
O PT repassou 115 milhões de reais à campanha de Lula por meio do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral. No caso de Flávio, o PL transferiu 47 milhões de reais do mesmo fundo, além de outros recursos partidários.
Entre os principais financiadores individuais de Flávio estão empresários ligados à produção agropecuária. Elói Vitório Marchett, empresário de Mato Grosso com atuação na produção de soja, sementes e pecuária, contribuiu com 2 milhões de reais em duas transferências realizadas em 15 de outubro.
Outro nome é Nelson José Vigolo, ligado ao Grupo Bom Jesus Agropecuária, que doou 1,1 milhão de reais à campanha em duas transferências feitas em 13 de outubro.
A relação de grandes contribuintes inclui ainda Alexandre Grendene, empresário do setor calçadista, que doou 1 milhão de reais em 16 de outubro, além de outros financiadores com contribuições milionárias.
A arrecadação individual de Flávio se concentrou nos últimos dias do período analisado. Entre 13 e 16 de outubro, a campanha recebeu 17,5 milhões de reais, o equivalente a 85,6% do total arrecadado nessa modalidade entre 5 e 16 de outubro.
Na campanha de Lula, os repasses partidários representam a principal fonte de financiamento. O PT transferiu 115 milhões de reais à candidatura, valor que corresponde à maior parte dos 118,4 milhões de reais declarados em receitas até o período considerado.
As contribuições individuais tiveram participação menor na arrecadação petista. Entre 5 e 16 de outubro, a campanha registrou 772,5 mil reais nessa modalidade, segundo o levantamento publicado pela Folha de S.Paulo.
A diferença entre as candidaturas aparece tanto na origem quanto na concentração dos recursos. Flávio recebeu contribuições individuais de valores elevados, incluindo aportes de empresários do agronegócio, enquanto Lula teve sua arrecadação sustentada principalmente por recursos transferidos pelo PT.
O cruzamento dos dados eleitorais permite investigar quais setores econômicos aparecem entre os principais financiadores de cada candidato e como as contribuições se distribuíram ao longo do segundo turno. As doações, por si só, não indicam contrapartidas ou irregularidades.
Os valores consideram os registros disponíveis até 16 de outubro de 2026 e podem ser atualizados pelas campanhas.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)