PT aprova manifesto sem citar escândalo do Banco Master
Documento final exclui referência ao caso após pedido do Planalto e busca acenos ao centro
O PT aprovou neste domingo, 26, o manifesto que define as diretrizes políticas do partido para este ano eleitoral. O texto final foi ajustado após pedidos do Palácio do Planalto e teve retirados trechos considerados mais duros, como menções diretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao escândalo do Banco Master.
O documento aprovado mantém a comparação entre a gestão petista e o governo anterior, mas sem citar Bolsonaro nominalmente. Lula não participou do congresso por motivos de saúde.
Entre as principais mudanças, o PT retirou a defesa de uma reforma do sistema financeiro que vinha sendo associada ao escândalo do Banco Master. O tema deixou de constar na versão final do manifesto.
O presidente do partido, Edinho Silva, afirmou que o caso foi debatido durante o congresso, assim como investigações sobre fraudes no INSS, mas nenhum dos dois assuntos aparecem no texto aprovado.
O manifesto preserva três eixos centrais do projeto de desenvolvimento: fortalecimento do papel do Estado, crescimento econômico com redistribuição de renda e transição produtiva, tecnológica e ambiental.
Também foram mantidas as propostas de reformas política, tributária, tecnológica, do Judiciário, administrativa, agrária e da comunicação. As duas últimas foram incluídas de última hora no documento final.
Aceno ao centro
O texto foi descrito por dirigentes como um aceno ao centro político e parte de uma estratégia para ampliar alianças em torno da reeleição de Lula.
O ministro José Guimarães afirmou que o objetivo é “chamar o centro para compor com o Lula”.
O documento defende a formação de um “amplo processo de concertação social”, reunindo trabalhadores, movimentos sociais e setores do empresariado em torno de um projeto comum.
A reeleição de Lula é tratada como central no texto, descrita como “decisiva para o futuro do Brasil”. O manifesto também reforça a ideia de construção do que chama de “socialismo democrático”.
Na área econômica, o documento cita indicadores como crescimento do PIB, redução do desemprego e saída do Brasil do Mapa da Fome.
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Trump
O manifesto trata o tarifaço do presidente dos EUA, Donald Trump, como instrumento de “repressão econômica” e descreve a medida como uma “guerra comercial sem precedentes”.
Também critica a política externa de Trump, classificando-a como “imperialista e agressiva em relação a países como Venezuela e Cuba, além da atuação dos Estados Unidos em parceria com Israel em conflitos na Faixa de Gaza e em ações militares contra Irã e Líbano, que, segundo o documento, contribuem para a escalada de tensões no Oriente Médio.”
Ajustes no manifesto
Na primeira versão, o documento defendia uma reforma do sistema financeiro com referência direta ao escândalo do Master.
Um trecho falava da necessidade de mudanças “de modo a enfrentar o rentismo e ampliar a regulação, supervisão e transparência do mercado financeiro, fortalecendo os instrumentos de controle público e prevenindo riscos, especialmente à luz das lições deixadas pelo caso Master, germinado com aval do Governo Bolsonaro e desmascarado pelo Governo Lula”.
Esse trecho foi suprimido na versão final.
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Comentários (1)
Jose Nilton Sant Anna Machado
26.04.2026 21:01Mais do mesmo.