PT aciona STF e PF contra ‘Dark Horse’
Partido suspeita que recursos do filme foram desviados para pré-campanha de Flávio Bolsonaro
O Partido dos Trabalhadores protocolou na quarta-feira, 10, representações junto ao Supremo Tribunal Federal e à Polícia Federal pedindo a abertura de investigações sobre o financiamento de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com lançamento previsto para setembro.
A sigla alega que parte dos recursos mobilizados para a produção pode ter sido direcionada, de forma irregular, à pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), configurando possível caixa dois eleitoral e abuso de poder econômico, segundo O Globo.
O PT também pede verificação das licenças municipais de filmagem e do registro da obra na Ancine: “Uma obra lançada no auge do processo eleitoral, dedicada a exaltar Jair Bolsonaro e seu grupo político, não pode circular como se fosse apenas entretenimento quando há suspeitas de financiamento milionário, caixa dois, uso de recursos públicos e articulação internacional”, afirma o partido em nota.
Dinheiro foi para emendas parlamentares?
O PT aponta como núcleo das irregularidades a destinação de emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, entidade dirigida por Karina Ferreira Gama — também proprietária da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme.
A mesma produtora firmou contratos com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de Wi-Fi na capital, o que levanta dúvidas sobre a aplicação dos recursos públicos recebidos.
Na representação encaminhada à PF, o PT solicita a apuração da origem, da circulação e do destino dos valores vinculados ao projeto, bem como a atuação de agentes políticos e empresariais envolvidos.
Já na ADPF protocolada no STF, dirigida ao ministro Flávio Dino, o partido pede investigação específica sobre o fluxo das emendas parlamentares.
As transferências ao exterior
De acordo com informações do Intercept Brasil, o banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master, transferiu aproximadamente R$ 60 milhões entre fevereiro e maio de 2025 para a produção — parte de um pedido original de US$ 24 milhões feito por Flávio Bolsonaro.
Ao menos uma parcela desses valores teria sido enviada para o fundo Havengate Development Fund LP, nos Estados Unidos, ligado ao advogado Paulo Calixto, que representa Eduardo Bolsonaro no Texas.
O senador Flávio Bolsonaro afirma que o dinheiro foi integralmente destinado ao filme. O partido contesta essa versão e sustenta que os recursos podem ter financiado, “direta ou indiretamente”, tanto a pré-campanha presidencial de Flávio quanto a permanência de Eduardo nos Estados Unidos.
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