PT aceita investigar Lulinha, mas cobra oposição em CPMI contra Flávio
Uczai exige apoio à CPMI contra Flávio Bolsonaro, em meio à disputa sobre a abertura de sigilos de Lula e do adversário
O PT decidiu apoiar a comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) proposta pela oposição para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, e a empresária Roberta Luchsinger. Em contrapartida, o líder do partido na Câmara, Pedro Uczai (SC), cobrou nesta terça-feira, 20, que parlamentares da oposição assinem o requerimento apresentado pelos petistas para investigar o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A movimentação ocorre a cinco dias do segundo turno presidencial e depois de Lula condicionar a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, assim como os de seus familiares, à adoção da mesma medida por Flávio. O senador afirmou, durante debate na Band, que não tinha nada a esconder, mas não confirmou que aceitaria a proposta nos termos apresentados pelo presidente.
Em coletiva no Salão Verde da Câmara, Uczai afirmou que as lideranças petistas assinaram o pedido da deputada Coronel Fernanda (PL-MT), apoiado pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), e orientaram suas bancadas a fazer o mesmo.
“Nós não vamos retirar a assinatura porque nós queremos as duas investigações”, declarou.
O requerimento da oposição pretende apurar suspeitas envolvendo Lulinha, Roberta e possíveis relações com o esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. A empresária afirmou, em entrevista à CNN Brasil, que pretende fazer uma delação premiada e que não poupará o presidente nem o filho.
PT cobra reciprocidade
Ao anunciar o apoio ao pedido da oposição, Uczai tentou transferir a pressão para os parlamentares bolsonaristas. Segundo ele, o requerimento petista para investigar Flávio já reunia 100 assinaturas, sendo 85 de deputados federais e 15 de senadores. Para alcançar o mínimo necessário à instalação da CPMI, são exigidas 198 assinaturas, distribuídas entre as duas Casas.
A comissão defendida pelo PT pretende investigar suspeitas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, com recursos atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, além das relações financeiras entre Flávio e o advogado Willer Tomaz.
“Por que que eles não assinam? Por que que não assinariam? Tem alguma coisa a esconder e não investigar?”, questionou Uczai.
O deputado Rogério Correia (PT-MG), que participou da coletiva, acusou Flávio de manter relações com pessoas investigadas e defendeu que o Congresso acompanhe as apurações. As acusações apresentadas pelos petistas, contudo, não equivalem a conclusões judiciais.
Lula condiciona abertura dos sigilos
O movimento do PT ocorre após Lula transformar em iniciativa formal o desafio feito a Flávio durante o debate presidencial de domingo, 18. O presidente protocolou nesta terça-feira, 20, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma autorização para a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, incluindo os de seus cinco filhos e da primeira-dama, Janja Lula da Silva.
A autorização, porém, está condicionada à abertura dos mesmos dados de Flávio, de familiares do senador e de empresas relacionadas aos dois candidatos. A proposta abrange os últimos oito anos.
No debate, Lula havia desafiado o adversário a abrir as contas bancárias e os registros telefônicos das duas famílias para que os eleitores pudessem avaliar as acusações de corrupção. Flávio respondeu que não tinha nada a esconder, mas acusou o presidente de manter dinheiro fora de suas contas bancárias.
“Eu não tenho absolutamente nada a esconder. Só que a questão, Lula, é que o seu dinheiro é por fora sempre. Não está na sua conta”, afirmou o senador.
Flávio não confirmou expressamente que aceitaria a abertura dos sigilos nos termos propostos. A condição imposta por Lula, portanto, transformou o desafio em uma disputa política sobre quem aceitará primeiro a exposição pública dos dados.
Aliados do senador no PL consideraram a iniciativa uma isca eleitoral e defenderam que ele não caia na provocação do petista. A estratégia representa um revés para Lula na tentativa de obrigar o adversário a responder diretamente ao desafio antes da votação.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)