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PSOL derrota Boulos e rejeita federação com PT

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Redação O Antagonista
13 minutos de leitura 07.03.2026 15:17 comentários
Brasil

PSOL derrota Boulos e rejeita federação com PT

A estratégia era discutida como possibilidade de, na visão do PT, fortalecer esse conglomerado dos partidos de esquerda

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Redação O Antagonista
13 minutos de leitura 07.03.2026 15:17 comentários 0
PSOL derrota Boulos e rejeita federação com PT
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
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Em reunião realizada neste sábado, 7, o diretório nacional do PSOL rejeitou uma proposta do PT para ingressar na federação Brasil de Esperança. A decisão representa uma derrota do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos e foi tomada por 76% dos integrantes da sigla.

A estratégia era discutida como possibilidade de, na visão do PT, fortalecer esse conglomerado dos partidos de esquerda. No entanto, o PSOL entendeu que tende a sair fortalecido nestas eleições, puxado por nomes como o da deputada federal Erika Hilton (SP).

Apesar disso, o partido deve compor com o palanque petista nas eleições deste ano.

“Por ampla maioria, o Diretório Nacional do PSOL decidiu acertadamente por rejeitar a proposta de Federação com o PT. 76% dos votos foram contrários, e 24% favoráveis”, disse a deputada federal Sâmia Bonfim, nas redes sociais.

“O partido reafirma que estará com Lula nas eleições, seguirá na linha de frente no enfrentamento à extrema direita e seguiremos construindo mobilizações em unidade nas ruas”, acrescentou a parlamentar.

“Mas isso não significa que nosso partido deve se diluir ou tampouco abrir mão de sua identidade e combatividade. Vamos seguir com nosso programa, nossa tática eleitoral nos estados e municípios e nossa independência política”, concluiu Sâmia.

“O PSOL assumiu a responsabilidade histórica de fortalecer a unidade das esquerdas para resistir aos retrocessos e reconstruir o Brasil”, descreveu o partido em resolução aprovada neste sábado.

Leia abaixo as resoluções do PSOL aprovadas neste sábado:

PSOL COM LULA PARA LIVRAR O BRASIL DO BOLSONARISMO

07 de março de 2026

Considerando que:

  1. O PSOL mantém a sua prioridade política bem definida: derrotar a extrema direita. Desde a virada na conjuntura brasileira, com o golpe contra Dilma Rousseff, o PSOL assumiu a responsabilidade histórica de fortalecer a unidade das esquerdas para resistir aos retrocessos e reconstruir o Brasil. Com essa bússola, lutamos contra o governo Temer e as suas reformas, construímos uma oposição incansável ao governo Bolsonaro e apoiamos Lula, desde o primeiro turno, em 2022.
  2. A vitória eleitoral em 2022 representou uma importante barreira de contenção ao avanço da extrema direita, mas não foi suficiente para livrar o Brasil do bolsonarismo. Essa continua sendo, até os dias de hoje, a tarefa mais importante da nossa geração. A extrema direita apenas trocou de trincheira e continuou a operar no Congresso Nacional, nas redes sociais, nas ruas, no mercado financeiro e em instituições que fingem neutralidade enquanto defendem privilégios de uma pequena minoria.
  3. Nunca subestimamos esses perigos diante de um país fraturado, como demonstrado com a tentativa de golpe de 08 de janeiro de 2023. Por essa razão, o PSOL está na base do governo Lula no Congresso Nacional, lutando pelo programa que foi eleito nas urnas, sem prejuízo à nossa autonomia e independência para defender as reformas estruturais em favor do povo brasileiro e para enfrentar a verdadeira sabotagem promovida não apenas pelo bolsonarismo, mas também pelo centrão e Faria Lima.
  4. Em 2026, é preciso unir forças novamente para vencer o bolsonarismo e preservar o cordão sanitário que já estabelecemos contra as forças mais reacionárias do nosso país. As eleições deste ano não serão um passeio e a reeleição de Lula não está garantida, em um contexto de luta política, social e ideológica de alta intensidade. Mais uma vez, enfrentaremos uma rede poderosa de mentiras favorecida pela impunidade dos grandes oligopólios de mídias sociais do Vale do Silício.
  5. Sabemos que é possível vencer. Como o PSOL tem defendido, o caminho para enfrentar a sabotagem é colocar o povo mobilizado na equação da governabilidade. Foi assim que colecionamos vitórias importantes contra o neofascismo brasileiro nos últimos meses. Em função do julgamento sobre a tentativa de golpe de 2023, Jair Bolsonaro e o núcleo duro de generais ao seu redor foram condenados e presos. Apesar do papel do Banco Central e dos juros altos, houve a redução do desemprego e da inflação e, não menos importante, a isenção do imposto de renda para quem ganha até cinco mil reais e a taxação dos que ganham acima de 50 mil reais por mês. Diante dos ataques de Donald Trump ao Brasil, mostramos quem são os verdadeiros e os falsos patriotas e derrotamos a proposta do tarifaço. Também em reação ao CongressoInimigo do povo, enfrentamos a PEC da Blindagem com forte mobilização popular. Depois de anos de luta por justiça, os mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes foram finalmente condenados.
  6. Mas como provado pelas pesquisas recentes, apesar disso, o país continua polarizado e dividido. Mesmo com a condenação e a prisão de Jair Bolsonaro, a extrema direita produziu uma grande quantidade de lideranças, em diversos partidos, que seguem ativas e com disposição de ir ao enfrentamento nas ruas e nas redes. Não menos importante é o papel de Donald Trump na América Latina com a ofensiva militar no mar do Caribe, o sequestro de Maduro e Cília Flores, o sufocamento de Cuba, a disputa pelo controle no canal do Panamá, a imposição do tarifaço, a agressão à soberania dos países e a interferência objetiva em processos eleitorais. Por isso, o PSOL mantém a unidade da esquerda no centro da política no próximo período.
  7. O momento é grave, repleto de perigos, e exige sínteses das esquerdas. Assim, apesar de dispor de excelentes nomes, o PSOL não apresentará uma pré-candidatura para a disputa eleitoral à presidência. A prioridade, em nível nacional, deve ser a construção da unidade entre os setores populares para assegurar a derrota da extrema direita. Esse processo de diálogo deve envolver elementos programáticos, afinal a amplitude necessária para isolar o bolsonarismo precisa se combinar com o entusiasmo e o engajamento dos setores populares em defesa de um projeto de país justo e soberano.
  8. Queremos contribuir com propostas de aprofundamento das mudanças que o nosso país tanto precisa. É o que já demonstramos na luta contra a escala 6×1, pela tarifa zero e por justiça tributária: os BBBs, bancos, bets e bilionários precisam pagar imposto nesse país e aliviar a carga sobre os mais pobres e a classe média. Precisamos multiplicar as vozes verdadeiramente patrióticas na defesa da nossa soberania nacional e da paz mundial justa, garantindo que o Brasil não ficará de joelhos perante Donald Trump, não será colônia do capital financeiro, nem base de guerra. Atuamos na defesa inegociável do meio ambiente, dos territórios e dos povos originários, porque a crise climática já chegou e quem a sente primeiro é sempre o povo pobre. Lutamos pelo fim da violência e pela garantia de dignidade para as maiorias sociais, porque não queremos apenas a representação simbólica das mulheres, do povo negro e das LGBTI+.
  9. Na luta por um projeto de país justo, assumimos um segundo compromisso: o de mudar radicalmente a composição deste Congresso que hoje governa para os de cima e criar as condições para impedir novas chantagens institucionais. O Congresso não é um poder neutro, hoje ele funciona como escritório político dos bancos, do ruralismo e dos donos do capital. Ampliar as bancadas de parlamentares combativos e socialistas do PSOL pelo país é uma necessidade para virar o jogo em favor do andar debaixo.

Diante disso, o Diretório Nacional do PSOL resolve:

  1. Desde já, assumimos um compromisso com o povo brasileiro: iremos, desde o primeiro turno, ajudar a reeleger Lula Presidente e livrar o país do pesadelo bolsonarista.
  2. A Convenção Eleitoral Nacional do PSOL, a ser realizada no prazo da justiça eleitoral, terá as seguintes tarefas: referendar a coligação eleitoral nacional; aprovar a plataforma programática que iremos apresentar para a coligação e batalhar pela sua concretização; e definir a tática eleitoral mais amplamente, estratégia de distribuição dos recursos do fundo eleitoral, política de alianças e temas afins.

Em relação às prioridades nacionais do partido:

  1. Tomamos como prioridade a superação da cláusula de barreira nas eleições de 2026; dela depende a continuidade do nosso projeto político e a construção de uma alternativa socialista e democrática para o Brasil. Esse é um esforço possível e exige compromisso coletivo de todo o partido.
  2. Lutaremos para ampliar a bancada parlamentar do PSOL tanto em nível federal quanto nos estados, com o compromisso de enfrentar a extrema direita e, acima de tudo, de defender as necessidades históricas e emergenciais do povo brasileiro.
  3. Temos a oportunidade histórica de eleger uma senadora do partido no Rio Grande do Sul com Manuela D’Ávila, pelo seu posicionamento nas pesquisas eleitorais e por já ter recebido o apoio de toda a esquerda gaúcha. Por essa razão, o fortalecimento e a priorização, desde a pré-campanha, ao Senado no Rio Grande do Sul é uma tarefa estratégica central do partido.
  4. Até a janela partidária, intensificamos uma campanha para convidar personalidades políticas alinhadas com os nossos princípios, lideranças políticas e de movimentos sociais e ativistas a se filiarem e serem candidatos pelo PSOL. Essa tarefa é coletiva e deve ser realizada por todos os nossos parlamentares, diretórios e militantes.

Em relação às candidaturas ao governo e ao Senado:

  1. Nosso objetivo nesta eleição não será o de utilizar a disputa com o único intuito de projeção ou construção de figuras públicas. Os estados deverão, quando possível, priorizar a unidade do campo progressista, desde o primeiro turno, em torno da disputa de Governo que represente o melhor nome para derrotar a extrema-direita, guardadas as devidas especificidades quando isso for inviabilizado por composições ou posicionamentos que comprometam o perfil partidário.
  2. Em estados que o PSOL tiver candidatura própria ao governo, os esforços partidários devem ser concentrados na construção de chapas federais capazes de alcançar a cláusula de barreira.
  3. Em relação ao Senado, o partido irá empreender esforços na sustentação de candidaturas que se apresentarem efetivamente competitivas, sempre que houver condições concretas para a unidade; Tendo Manuela D`Ávila à frente, podemos ampliar as nossas campanhas ao Senado que são apoiadas pelo conjunto da esquerda em seus estados, é esse o esforço já empreendido com a pré-candidatura de Áurea Carolina ao senado em Minas Gerais.

Em relação à pré-campanha:

  1. Além de uma prioridade na pré-candidatura de Manuela D’Ávila que tem chances efetivas de conquistar uma vaga ao Senado pelo PSOL, devemos ter uma tática global e partidária de investimento da pré-campanha nas pré-candidaturas à Câmara de Deputados, seguindo a seguinte ordem de prioridade:

a. Estados em que a federação ultrapassou a cláusula, mas há risco de não ultrapassarem nas eleições de 2026 e que precisam de atrair figuras externas para conseguir completar o feito;

b. Estados em que a federação ultrapassou a cláusula, mas há risco de não ultrapassarem nas eleições de 2026 por conta da montagem chapa federal;

c. Estados em que a federação ultrapassou a cláusula e há chances de ampliação da bancada federal e senado;

d. Estados em que a federação não ultrapassou a cláusula, mas que há chances de atração de figuras que contribuíram para o cumprimento da cláusula.

  1. Caberá à Executiva Nacional do PSOL, com apoio do Grupo de Trabalho Eleitoral, concluir a proposta de investimento na pré-campanha à nível nacional.
  2. O GTE Nacional deverá continuar os trabalhos de projeção de cenários eleitorais e acompanhamento da tática eleitoral dos estados.

Diretório Nacional do PSOL

RESOLUÇÃO SOBRE FEDERAÇÃO PARTIDÁRIA

07 de março de 2026

Considerando:

  1. Que o PSOL tem como uma de suas tarefas centrais para esse período histórico o enfrentamento à extrema direita e, portanto, tem pautado sua atuação pela unidade da esquerda e do campo progressista e popular.
  2. Que, diante disso, o PSOL tem atuado de forma consequente compreendendo a importância do apoio a reeleição de Lula em 2026, cumprindo um papel importante na disputa de uma agenda política, social e econômica em sintonia com as urgências do povo trabalhador.
  3. Que todas as posições em debate atualmente no partido sobre Federação são legítimas e devem ser respeitadas.
  4. Que a experiência de 4 anos com a Federação PSOL-REDE tem um sentido positivo. Construímos unidade em temas centrais e estabelecemos diálogos ponderados para lidar com as diferenças. Seguimos crescendo com consistência programática num contexto adverso para o conjunto das esquerdas.
  5. Que a REDE, em diálogo com nosso partido, apresentou sua posição por manter a Federação.
  6. Que o PT, recentemente, fez um convite ao PSOL para que integre a Federação Brasil da Esperança (PT–PCdoB–PV).
  7. Que, em relação a este convite, a atual legislação que trata das federações não apresenta qualquer salvaguarda democrática que proteja os partidos menores que optam por federar com partidos maiores e que isso teria reflexos em decisões muito importantes como, por exemplo, as alianças e táticas eleitorais que já estão em curso nos estados, comprometendo nossa autonomia.
  8. Que nosso entendimento é o de que a unidade com pluralidade fortalece o campo progressista e a luta contra a extrema direita, ampliando a diversidade e a quantidade de vozes e de representação social. Portanto, no sentido de preservar nossa autonomia política, não ingressaremos em uma nova articulação de federação neste momento.
  9. Que o PSOL vem se afirmando com uma identidade política e combativa reconhecida na sociedade capaz de dialogar com diferentes setores e representar causas fundamentais do povo brasileiro, cumprindo não só um papel nesta conjuntura mais imediata, mas tendo muito a oferecer ao futuro da esquerda brasileira.
  10. Que reconhecemos os desafios da cláusula de barreira, mas temos bases políticas concretas para superá-la com uma ação partidária unitária, fortalecendo as chapas em todos os estados, trabalhando na ampliação e garantindo uma política de financiamento bem estruturada.

Decidimos:

Renovar a Federação PSOL-REDE, autorizando a Executiva do PSOL a seguir com as tratativas políticas e iniciar, ainda no mês de março, os encaminhamentos jurídico-administrativos.

Diretório Nacional do PSOL

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